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Amazonas

Com atuação das Farc, rios do Amazonas viram porta de entrada de ‘supermaconha’ no país

Principal produto a circular oculto nas embarcações do tráfico que viajam pelo Japurá e o Puruê é a maconha, mais especificamente dos tipos skunk e creepy

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A prisão de dois colombianos que tentavam entrar no Brasil com 17 quilos de droga expôs as ligações internacionais do tráfico na fronteira amazônica. Após desligarem o motor e as luzes do barco, que era conduzido a remo, os estrangeiros acabaram capturados por militares do 3° Pelotão Especial de Fronteira, instalado no Rio Japurá, na altura do isolado povoado de Vila Bittencourt, no Amazonas. As informações são de O Globo.

A dupla levava um documento de identificação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o que, segundo a condenação ocorrida meses depois, foi entendido pela Justiça brasileira como prova de elo dos réus com o grupo.

O episódio ocorrido em 2023 ilustra tanto uma mudança na dinâmica criminal da região quanto o papel nessa transformação das Farc, que oficialmente entregaram as armas após um acordo de paz em 2016, mas seguem atuantes por meio de dissidências. Alternativas às rotas mais vigiadas da Tríplice Fronteira, entre a cidade brasileira de Tabatinga, a colombiana Letícia e a peruana Santa Rosa, os rios Japurá e o vizinho Puruê consolidaram-se, ao longo da última década, como um dos principais caminhos para a entrada no país de um tipo de maconha colombiana de alta potência.

A maconha creepy (também conhecida na Colômbia como “cripa”) é uma variante da cannabis cultivada em laboratórios e estufas clandestinas, principalmente na Colômbia. Em tradução livre, a palavra quer dizer estranho, horripilante e ela é famosa justamente por ser horripilante se comparada com outros tipos de maconha.

Ela é famosa por sua potência extremamente elevada e efeitos atordoantes, o que a torna mais cara e perigosa para a saúde. Enquanto a porcentagem de THC da maconha comum varia entre 0,5% e 5%, a creepy pode atingir concentrações de até 25%.

O alto teor de tetrahidrocanabinol (THC) eleva drasticamente o risco de dependência e o desenvolvimento de transtornos psicóticos, além de causar prejuízos cognitivos e de regulação emocional.

A maconha, usada em fase de desenvolvimento, tem um impacto na construção das conexões neuronais associadas ao córtex pré-frontal. E uma vez comprometidas, essas conexões não são reestabelecidas da mesma forma mais tarde

O fluxo de entorpecente pelos cursos d’água resulta de uma parceria entre o Comando Vermelho (CV) e a Frente Carolina Ramirez, vinculada a uma das principais dissidências das Farc, o Estado Maior Central. A forte presença do crime organizado, somada ao avanço do garimpo ilegal na região, levou a Defensoria Pública da União, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras entidades a solicitarem, em abril passado, uma reunião no Ministério da Justiça para tratar do tema.

A aproximação entre o CV e grupos oriundos das Farc é confirmada pelo coronel do Exército da Colômbia Carlos Rodriguez Contreras, que atua na repressão às dissidências da guerrilha e participa de operações conjuntas com o Brasil. O oficial explica que a aproximação entre as duas organizações abarca compra de drogas, garantias de trânsito nos rios, proteção de carregamentos, troca de informações e coordenação logística pontual. Outras quadrilhas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), também atuam na região.


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