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MP: fintechs da Faria Lima ocultam dinheiro do crime organizado em SP; movimentações chegam a R$ 26 bilhões

Principais alvos da ‘Operação Fluxo Oculto’ são empresários, operadores logísticos e laranjas de um esquema que continuou atuando mesmo após operações policiais anteriores.

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Dinheiro apreendido pela ‘Operação Fluxo Oculto’ na manhã desta quinta-feira (28). (Foto: Reprodução/TV Globo)

A nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto, aponta que fintechs sediadas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o coração financeiro de São Paulo, continuavam ocultando dinheiro do crime organizado, mesmo após a ação realizada em agosto do ano passado.

Um dos principais pontos da investigação desta quinta-feira (28), coordenada pelo Ministério Público de São Paulo,  foi o acesso às contas gráficas (registros internos) vinculadas às chamadas contas-bolsão, que as fintechs mantinham em bancos tradicionais.

Fintech é uma empresa de tecnologia que oferece serviços financeiros digitais, como contas, transferências, pagamentos e empréstimos, geralmente por aplicativos e plataformas online.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, apesar da deflagração da operação em 2025, o grupo não interrompeu as atividades. Pelo contrário, houve aumento do volume de desvio de nafta (solventes petroquímicos importados) e abertura de novas empresas de fachada para ocultar o dinheiro do esquema.

A Operação Carbono Oculto mirou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, o grupo atuava em toda a cadeia do setor de combustíveis, usando também fundos de investimento para ocultar o patrimônio ilícito.

Os relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações atípicas e suspeitas de quase R$ 26 bilhões e a retomada do uso de fintechs (empresas de base tecnológica que oferecem soluções financeiras digitais) e plataformas de pagamento, que funcionaram como “dutos financeiros” do grupo criminoso.

Os promotores afirmam que a organização ligada à facção PCC se reestruturou rapidamente, expandiu as operações e manteve o mesmo padrão criminoso detectado no ano passado.

Contas-bolsão são contas bancárias únicas abertas por fintechs em um banco tradicional para centralizar e movimentar dinheiro de um grupo de clientes, como se fosse um cofre comum. Para o banco em que a conta-bolsão foi aberta, o titular da conta é apenas a fintech que a abriu.

Até então, todo o dinheiro que a fintech movimentava em uma determinada conta vinculada a bancos tradicionais não informava qual cliente era dono de cada parte do dinheiro que estava nas contas-bolsão.

Essas contas-bolsão criaram um ponto cego para o sistema antilavagem de dinheiro. Esses mecanismos trouxeram múltiplas possibilidades para a blindagem patrimonial e a lavagem de capitais, segundo revelou a primeira fase da operação.

Com o acesso às contas gráficas, os promotores conseguiram o registro interno das transações, como origem e destino, remetente e beneficiário da conta de pagamento, efetuado pela instituição de pagamento, relacionada à “conta-bolsão”.

Isso só foi possível porque, nessas contas gráficas, os recursos dos usuários transitam por contas mantidas em nome da própria fintech junto a bancos tradicionais.

De acordo com o MP, quando o dinheiro cai na conta bolsão, o banco só sabe que ele é da fintech, não sabe o CNPJ ou CPF do depositante. A fintech mantém um livro de registro com esses dados, de quem é realmente o dono do dinheiro. Isso é justamente a chamada conta gráfica.


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