Amazonas
Economia do Amazonas perde tração, mas mantém bases para crescer, diz Panorama Econômico do Comércio do Amazonas
De acordo com o documento, após um crescimento robusto em 2025, com expansão de 8,86% do PIB estadual, observa-se no início de 2026 uma perda de intensidade nos principais indicadores de atividade,
A economia do Amazonas em abril de 2026 apresenta um quadro de transição, marcado por desaceleração no curto prazo, mas ainda sustentado por fundamentos estruturais relevantes. É o que avalia o Panorama Econômico do Comércio do Amazonas, publicado pela Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM).
De acordo com o documento, após um crescimento robusto em 2025, com expansão de 8,86% do PIB estadual, observa-se no início de 2026 uma perda de intensidade nos principais indicadores de atividade, especialmente no comércio e nos serviços. “Ainda assim, a base produtiva permanece sólida, com forte predominância do setor terciário, que responde por quase metade do PIB estadual e mais de dois terços dos empregos formais”, diz.

O Panorama da Fecomércio-AM diz, ainda, que “o ambiente empresarial segue dinâmico, refletido no elevado número de empresas ativas no estado. Em abril, o Amazonas atingiu 870.997 empresas registradas, sendo 86,7% concentradas nos segmentos de comércio e serviços”. E que o crescimento mensal de 1,26% nesse segmento reforça a vitalidade empreendedora local, mesmo em um contexto de desaceleração econômica. “Esse movimento sugere continuidade da formalização e da abertura de novos negócios, ainda que possivelmente em escala menor e com maior cautela.”
“Por outro lado, os indicadores de atividade econômica mostram sinais claros de enfraquecimento.
O comércio varejista registrou retração expressiva tanto no limite do mês quanto na comparação interanual, enquanto o varejo ampliado também perdeu dinamismo, especialmente nos segmentos dependentes de crédito. O setor de serviços segue a mesma trajetória, com queda relevante frente ao ano anterior e deterioração no acumulado em 12 meses. Esses dados indicam que o consumo, principal motor da economia local, começa a enfrentar restrições mais evidentes”, acrescenta.
Ainda segundo o documento, a dinâmica do consumo das famílias confirma esse cenário. Embora o nível geral ainda permaneça em território positivo, há sinais consistentes de desaceleração, impulsionados principalmente pela restrição ao crédito e pelo elevado nível de endividamento. “Com 87,8% das famílias endividadas e quase metade com dívidas em atraso, o espaço para expansão do consumo torna-se mais limitado. Ainda que emprego e renda sigam sustentando a demanda, o comportamento das famílias já indica maior seletividade e cautela nas decisões de compra”.
A análise da Fecomércio-AM diz também que o segmento de comércio e serviços continua liderando a geração de empregos, com saldo positivo e crescimento moderado no início do ano. Esse desempenho contribui para manter a confiança das famílias e evitar uma retração mais acentuada do consumo. “No entanto, a redução no ritmo de contratações e investimentos por parte dos empresários indica um ajuste em curso, compatível com um ambiente de maior incerteza”.
O turismo é citado entre os vetores positivos, que segue como destaque, apresentando “crescimento robusto no acumulado do ano e mantendo trajetória estruturalmente favorável”. Segundo o documento, esse desempenho contribui para mitigar parcialmente a desaceleração dos demais segmentos e reforça o potencial do estado em atividades ligadas à economia de serviços. “Adicionalmente, o câmbio mais apreciado no curto prazo e o alívio recente na cesta básica oferecem algum suporte ao poder de compra, ainda que de forma limitada e possivelmente temporária”, diz.
No plano macroeconômico, o Panorama considera que o cenário nacional impõe desafios adicionais. E que a inflação mais pressionada, os juros elevados por mais tempo e a desaceleração do crescimento projetado criam um ambiente menos favorável à expansão econômica no curto prazo. Para o Amazonas, diz o documento, “isso se traduz em maior cautela por parte de empresários e consumidores, além de impactos diretos sobre crédito, investimento e arrecadação, já refletidos na queda do ICMS no primeiro trimestre”.
Em síntese, o Panorama diz que o momento exige uma postura estratégica baseada em prudência e seletividade. Para os empresários, a recomendação continua sendo: priorizar eficiência operacional, gestão rigorosa de caixa e estoques, além de maior critério na concessão de crédito e as estratégias comerciais devem ser mais segmentadas, com foco em públicos de maior resiliência e em condições de pagamento que estimulem a demanda sem elevar excessivamente o risco. “Ao mesmo tempo, oportunidades seguem presentes, especialmente em nichos ligados ao turismo e serviços especializados. Crescer continua sendo possível – mas, neste ciclo, crescer com disciplina será o principal diferencial competitivo”, diz o documento
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário