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Guarda costeira de Cuba mata 4 tripulantes de lancha dos EUA no mar do Caribe

Embarcação estadunidense entrou em confronto com guarda de fronteira cubana a uma milha náutica ao norte da ilha.

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Guarda-costeiros cubanos mataram nesta quarta-feira quatro pessoas que estavam a bordo de uma lancha com registro do estado da Flórida, em águas territoriais da ilha, informou o Ministério do Interior de Cuba (Minint). Segundo o governo, a embarcação não obedeceu à ordem de parada e abriu fogo contra uma patrulha marítima, e seus tripulantes tinham “a intenção de realizar uma infiltração com fins terroristas”. As autoridades da Flórida determinaram a abertura de um inquérito.

De acordo com as autoridades cubanas, o barco entrou em águas territoriais cubanas na área da província de Villa Clara, na região central do país e a menos de 200 km da Flórida. Ao ser abordada pela Guarda Costeira, foi feito um disparo na direção dos agentes cubanos, deixando um oficial ferido. Em seguida, teve início um confronto no qual, segundo a versão oficial de Havana, “quatro agressores foram abatidos e seis ficaram feridos, sendo evacuados e recebendo atendimento médico”.

“Foi constatado que a lancha interceptada, com registro da Flórida, transportava 10 indivíduos armados que, segundo declarações preliminares dos detidos, pretendiam realizar uma infiltração com fins terroristas”, afirmou o Ministério do Interior, em publicação nas redes sociais. “Foram apreendidos fuzis de assalto, pistolas, artefatos explosivos improvisados ​​(coquetéis Molotov), ​​coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes de camuflagem.”

O ministério afirmou que os tripulantes são cidadãos cubanos residentes nos EUA, e que “maioria possui histórico conhecido de atividades criminosas e violentas”, sendo acusados pela Justiça de “envolvimento na promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou execução de atos terroristas em território cubano ou em outros países”.

“Além disso, Duniel Hernández Santos, cidadão enviado dos Estados Unidos para facilitar a recepção da infiltração armada, foi preso em Cuba e confessou seus atos. A investigação prossegue até que os fatos sejam totalmente esclarecidos”, afirma a nota.

O governo cubano declarou ainda que “ratifica sua vontade de proteger as águas territoriais”, afirmando que a defesa nacional é um “pilar fundamental” da soberania e da estabilidade regional.

Já na Flórida, onde se concentra a maior parte da diáspora cubana, e para onde rumaram mais de um milhão de cubanos nos últimos seis anos, as respostas foram em tom de cobranças e ameaças. O senador e ex-governador republicano Rick Scott defendeu uma “investigação completa dessa situação profundamente preocupante” e que o “regime comunista cubano” seja responsabilizado.

O deputado republicano Carlos Giménez exigiu “uma investigação imediata sobre esse massacre”, e afirmou que “as autoridades dos Estados Unidos devem determinar se alguma das vítimas era cidadã americana ou residente legal e estabelecer exatamente o que aconteceu”. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação.

“Não se pode confiar no governo cubano, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas”, disse Uthmeier em comunicado.

Na Casa Branca, o vice-presidente, JD Vance, disse a jornalistas que recebeu detalhes sobre o incidente através do secretário de Estado, Marco Rubio — uma das principais vozes contra o regime em Havana —, e que o governo está monitorando a situação.

— Esperamos que não seja tão ruim quanto tememos, mas não posso dizer mais nada porque simplesmente não sei mais nada — completou.

Em visita a São Cristóvão e Nevis, no Caribe, Rubio afirmou que “à medida que reunirmos mais informações, estaremos preparados para responder”, mas negou que o governo ou representantes dos EUA tenham participado da operação.

O incidente ocorre em meio a uma das mais graves crises econômicas enfrentadas pela ilha nos últimos anos, com preços em alta, queda de rendimentos e investimentos externos e, mais recentemente, um bloqueio à entrada de petróleo, imposto pelos EUA.

Em janeiro, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas e a “transição” do chavismo de algoz para aliado da Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor sanções a quem vendesse petróleo a Cuba, e que os envios de combustíveis vindos da Venezuela estavam suspensos.

O bloqueio, que se somou ao embargo em vigor desde os anos 1960, obrigou as autoridades locais a adotarem medidas de emergência, como racionamento de energia e o fechamento de hotéis e estabelecimentos não essenciais. Com o agravamento da situação, o número de barcos de cubanos deixando a ilha encontrados no Caribe aumentou nas últimas semanas. Aos jornalistas, Rubio afirmou que a crise era responsabilidade do governo local, e que o regime “deve mudar fundamentalmente”.

Nesta quarta-feira, diante de alertas de líderes regionais sobre uma potencial crise humanitária, o Departamento do Tesouro dos EUA autorizou a venda de petróleo por empresas americanas — embora o produto venha da Venezuela — para o “setor privado cubano e atividades do setor econômico privado, incluindo necessidades humanitárias”. Exportações ao governo, que controla a maior parte da economia, seguem suspensas, e entidades privadas não podem vender petróleo ao Estado.

Histórico de incidentes

Casos semelhantes foram registrados nos últimos anos. Em 2022, uma lancha rápida proveniente dos Estados Unidos teria disparado contra forças guarda-fronteiras perto de Villa Clara, deixando um oficial cubano ferido. Em outro episódio, em Bahía Honda, no oeste da ilha, uma embarcação também procedente dos EUA colidiu com uma patrulheira do Ministério do Interior, resultando no naufrágio da lancha e na morte de parte de seus tripulantes.

Autoridades cubanas relatam ainda a apreensão frequente de lanchas rápidas abandonadas ou capturadas na costa norte do país, em províncias como Ciego de Ávila, Villa Clara e Havana, supostamente usadas para transporte irregular de migrantes. O governo classifica essas ações como “violações territoriais e tráfico humano”.

O incidente com a lancha ocorreu 30 anos depois da Força Aérea cubana abater dois aviões de pequeno porte, pilotados por oposicionistas no exílio da organização Irmãos ao Resgate e que lançaram milhares de panfletos contra o regime. Quatro pessoas morreram, e uma terceira aeronave conseguiu escapar dos caças cubanos. O caso levou a novas sanções americanas contra Havana.

— É interessante, porque acredito que estamos no momento certo para agir contra o governo de Cuba — disse Jose Basulto, líder da organização que conseguiu escapar na terceira aeronave, ao New York Times, pouco depois de saber do incidente com o barco. — Essas pessoas estão agindo dessa forma, indo a Cuba para buscar pessoas, arriscando suas vidas. Isso provavelmente se repetirá a menos que o governo dos Estados Unidos tome providências.


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