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CNI pede prudência após governo Lula autorizar o uso da Lei da Reciprocidade contra tarifaço de Trump

Comitiva da indústria com mais de 100 líderes empresariais embarca na próxima semana para Washington

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nesta sexta-feira cautela diante da escalada da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a abertura de consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra o tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Na quinta-feira, o Palácio do Planalto comunicou oficialmente à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o início do processo, a CNI afirmou que ainda é hora de apostar no diálogo.

“O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica”, diz trecho da nota da entidade.

Na avaliação da indústria, as economias brasileiras e americanas são complementares, e a relação bilateral construída ao longo de mais de 200 anos deve ser preservada.

Para reforçar a estratégia, uma comitiva da CNI, com mais de 100 líderes empresariais, embarca na próxima semana para Washington. A agenda inclui reuniões com autoridades e representantes do setor privado americano, além de preparativos para uma audiência pública, no dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Apesar de ter acionado formalmente a Lei da Reciprocidade, o governo brasileiro também mantém interesse em negociar. Segundo o Itamaraty, o processo pode durar até sete meses e prevê etapas de consulta aos EUA, além de direito ao contraditório. Lula, no entanto, justificou a medida afirmando que os ministros Geraldo Alckmin (MDIC), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não têm sido ouvidos por Washington.

O Brasil ainda abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para defender os interesses nacionais.

— Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros — pontuou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Lula diz que não há pressa para aplicar Lei da Reciprocidade

Nesta sexta-feira o presidente Lula afirmou que “não tem pressa” para aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, apesar de ter autorizado o início do processo pela Camex.

A legislação, sancionada em abril, permite ao Brasil responder a medidas unilaterais adotadas por outros países, como o tarifaço de 50% imposto pelos EUA a produtos brasileiros. Lula destacou que o processo precisa andar para tentar acelerar negociações, mas reforçou que prefere dialogar.

— Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo — disse Lula em entrevista à Rádio Itatiaia.

Lula ainda disse que, se os norte-americanos estiverem dispostos a negociar, o Brasil também está.

— Nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia. Até agora nós não conseguimos falar com ninguém. Então eles não estão dispostos a negociar.

Com informações do O Globo


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