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Reino Unido conclui aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Amazônia e vira segundo maior doador

País amplia participação em mecanismo de combate ao desmatamento que voltou a receber recursos internacionais.

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O Reino Unido concluiu sua contribuição de 80 milhões de libras esterlinas ao Fundo Amazônia, equivalente a cerca de R$ 500 milhões, e se tornou o segundo maior doador do principal mecanismo internacional de financiamento para conservação da floresta.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11/06), após o governo britânico realizar um segundo desembolso de 40,7 milhões de libras, cerca de R$ 270 milhões. A primeira parcela havia sido transferida em 2024.

Com o pagamento integral, o Reino Unido passa a ocupar a segunda posição entre os financiadores do fundo, atrás apenas da Noruega, principal parceira da iniciativa desde sua criação, em 2008.

O aporte britânico foi anunciado originalmente durante a COP28, realizada em Dubai, no fim de 2023, em meio à retomada do interesse internacional pela agenda ambiental brasileira.

Criado para receber pagamentos internacionais vinculados à redução do desmatamento, o Fundo Amazônia ficou praticamente paralisado entre 2019 e 2022, período marcado por disputas entre o governo brasileiro e os principais países financiadores.

A situação começou a mudar em 2023, quando a Noruega e a Alemanha retomaram os repasses e novos parceiros passaram a aderir ao mecanismo. Desde então, países como Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Suíça, Dinamarca,

Irlanda e União Europeia anunciaram contribuições.

Segundo dados oficiais do Fundo Amazônia, o mecanismo reúne atualmente recursos contratados de dez financiadores, incluindo governos estrangeiros e a Petrobras.

A ampliação da base de doadores ocorre em um momento em que o Brasil tenta consolidar sua posição nas negociações climáticas internacionais e se prepara para sediar a COP30, prevista para Belém.

O Fundo Amazônia é considerado uma das principais experiências de financiamento climático baseadas em resultados.

O modelo prevê que países e instituições internacionais façam contribuições financeiras após a comprovação da redução de emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento.

Os recursos são administrados pelo BNDES e destinados a projetos de fiscalização ambiental, monitoramento da floresta, proteção de territórios indígenas, regularização fundiária, restauração ambiental e desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis.

Desde sua criação, o fundo acumulou cerca de R$ 5 bilhões em doações contratadas e financiou mais de 140 projetos em toda a Amazônia Legal.

A retomada das contribuições internacionais coincide com a queda dos índices de desmatamento observada nos últimos anos.

O mecanismo funciona como uma espécie de pagamento por desempenho: quanto maiores os resultados na redução da destruição da floresta, maior tende a ser o interesse dos países em apoiar financeiramente as ações de conservação.

Além do aspecto ambiental, especialistas apontam que o Fundo Amazônia ganhou relevância diplomática diante do aumento das pressões internacionais para cumprimento das metas climáticas estabelecidas no Acordo de Paris.

A floresta amazônica é vista por governos e organismos multilaterais como peça central para limitar o aquecimento do planeta, preservar a biodiversidade e reduzir emissões de carbono.
Debate sobre escala de financiamento continua

Apesar do aumento recente das contribuições, pesquisadores e organizações ambientais argumentam que os recursos ainda estão longe do volume necessário para enfrentar os desafios econômicos e sociais da região amazônica.

Estudos sobre financiamento climático indicam que os valores atualmente disponíveis representam apenas uma fração dos investimentos considerados necessários para reduzir o desmatamento, ampliar a bioeconomia e criar alternativas de renda para a população local.

Ainda assim, o crescimento do número de doadores é visto por especialistas como um sinal de recuperação da confiança internacional no modelo de governança do fundo e na capacidade do Brasil de transformar resultados ambientais em cooperação financeira.


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