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Covid-19: pesquisador diz que Manaus está perdida e pede presença de observadores internacionais

A manifestação foi feita, na última quarta-feira, pelo epidemiologista da Fiocruz/Amazônia Jesem Orellana, no Facebook. Segundo ele, “não há mais o que ocultar, a trágica primeira onda e a surreal segunda onda.

Manaus está perdida e a Covid-19 explodiu. Precisamos urgentemente de observadores internacionais independentes ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH), pois não é mais possível confiar nos diferentes níveis de gestão que estão à frente da epidemia na cidade.

A manifestação foi feita, na última quarta-feira, pelo epidemiologista da Fiocruz/Amazônia Jesem Orellana, no Facebook. Segundo ele, “não há mais o que ocultar, a trágica primeira onda e a surreal segunda onda (agosto em diante) estão entrando para a história recente das pandemias como uma das mais dramáticas experiências sanitárias e humanitárias já documentadas, ao menos em tão curto espaço de tempo”.

Ele lembra que há quase 40 dias previu que o mês de janeiro seria o “mês das lamentações e do luto”. E lamenta que “ por mais desumano e monstruoso que pareça, em Manaus, capital mundial da Covid-19, não há qualquer sinal de ‘lockdown’. Diz que “ Manaus é o laboratório a céu aberto, onde todo tipo de negligência e barbaridade é possível, sem punição e qualquer ameaça à hegemonia dos responsáveis pela (não) gestão da epidemia nos mais diferentes níveis”. E acrescenta: “A regra parece ser deixar o vírus correr livre, horrorizando a humanidade, com direito a nova variante cujas consequências são imprevisíveis”.

Ele informa que somente nos primeiros 20 dias de janeiro de 2021, ocorreram em torno de 945 óbitos por Covid-19, quase a mesma quantidade do que a somatória de mortes por Covid-19 entre agosto(início da segunda onda) e dezembro de 2020. E diz que esse número tende a aumentar nas próximas semanas/meses, devido ao andamento das investigações de óbitos e/ou ao lançamento/atualização de dados ‘represados’”.

Outro indicador citado e que, segundo ele, reflete a gravidade da epidemia é o explosivo número de sepultamentos entre 13 e 19 de janeiro de 2021, com uma média diária de 191, um padrão inédito na história de Manaus e quase 6 vezes maior do que o padrão habitual. “É interessante refletir sobre o indicador de mortes em domicílio, já que Manaus chocou a humanidade em 14 de janeiro, quase que exclusivamente, pelo fato de suas enfermarias hospitalares terem sido transformadas em espécies de ‘câmaras de asfixia’, já que dezenas de vítimas foram a óbito sem oxigênio medicinal. Não foi coincidência Manaus ter sepultado, inacreditavelmente, 213 mortos no dia seguinte”.

Veja a manifestação neste link.

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