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Surto de ebola na República Democrática do Congo se torna o de crescimento mais rápido da história da doença

Mais de 3,3 mil casos e quase 1,5 mil mortes já foram registrados desde maio; conflito armado dificulta resposta das autoridades, enquanto vacina ainda está em testes.

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O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) tornou-se o de crescimento mais rápido desde a descoberta do vírus, segundo autoridades sanitárias do país. Declarado oficialmente em 15 de maio, o surto da cepa Bundibugyo já contabiliza 3.360 casos confirmados e 1.487 mortes, espalhando-se por cinco províncias no leste do território africano. A resposta à emergência é prejudicada pela insegurança causada por conflitos armados, enquanto uma vacina específica para essa variante ainda passa por testes clínicos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Pública (NPHI) da RDC, a taxa de letalidade do surto é de aproximadamente 45%. Os números já se aproximam do maior surto de ebola já registrado no país, entre 2018 e 2020, quando 3.470 pessoas foram infectadas.

Responsável pela coordenação da resposta à doença, o professor Pierre Akilimali afirmou que ainda não é possível prever quando o número de infecções atingirá o pico. Segundo ele, fatores como a violência na província de Ituri, a intensa atividade de mineração e a alta densidade populacional tornam o controle da doença mais difícil do que em epidemias anteriores.

As autoridades congolesas informaram ter ampliado a vigilância epidemiológica por meio de agentes comunitários, criado mais de 20 centros de tratamento para pacientes com ebola e instalado laboratórios locais para acelerar os diagnósticos. Ainda assim, entre 100 e 150 novos casos confirmados continuam sendo registrados semanalmente nas zonas de saúde de Bunia e Rwampara.

— A população também precisa fazer sua parte e procurar atendimento médico diante da menor suspeita de infecção. Isso nos ajudará a responder de forma mais eficaz à doença — afirmou Akilimali.

Para especialistas internacionais, o combate ao surto enfrenta o desafio adicional de ter começado tardiamente. O médico Justus Nsio, gerente de incidentes em campo dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), disse que o atraso na detecção favoreceu a disseminação do vírus.

— Todos os especialistas que acompanham este surto concordam que ele foi identificado tarde demais. Quando isso acontece, é preciso recuperar o tempo perdido para conter a transmissão — afirmou.

Enquanto o número de casos cresce, moradores das áreas afetadas relatam o impacto da epidemia sobre a rotina. Deborah Nzuva, moradora da província de Ituri, disse temer que a vida na região “pare completamente” diante do avanço da doença. Já a comerciante Annabelle Nissi, da cidade de Bunia, afirmou que o surto interrompeu projetos de desenvolvimento e aumentou o clima de insegurança entre a população.

A expectativa das autoridades está voltada para os testes de uma vacina específica contra a cepa Bundibugyo. Os ensaios clínicos começaram no início de julho e, até meados do mês, cerca de 20 voluntários haviam sido incluídos no estudo. Segundo os pesquisadores responsáveis, os testes podem durar até quatro meses antes que haja resultados sobre a eficácia e a segurança do imunizante.

A resposta internacional também foi reforçada. Uganda, que nesta semana declarou encerrado seu próprio surto de ebola após passar 12 dias sem registrar novos casos, enviou especialistas para atuar ao lado das equipes congolesas, principalmente nas regiões de fronteira entre os dois países.


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