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Quem é Navi Pillay, juíza sul-africana que venceu o Prêmio Nobel da Paz 2026

Ela presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado entre 2021 e 2025 que concluiu, em relatório divulgado no ano passado, que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza.

A juíza Navanethem “Navi” Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026, é uma jurista sul-africana de origem indiana tâmil, que atuou como Alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014, além de ter passagem pelo TPI (Tribunal Penal Internacional).

Nascida em Durban, na África do Sul, ela cresceu durante o regime do apartheid e começou a carreira defendendo ativistas que lutavam contra a segregação racial.

Em 1967, fundou seu próprio escritório de advocacia, em uma época em que mulheres negras enfrentavam barreiras para exercer a profissão no país.

Nascida em Durban, na África do Sul, ela cresceu durante o regime do apartheid e começou a carreira defendendo ativistas que lutavam contra a segregação racial.

Em 1967, fundou seu próprio escritório de advocacia, em uma época em que mulheres negras enfrentavam barreiras para exercer a profissão no país.

Anos depois, Pillay também atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga indivíduos acusados de crimes internacionais graves.

Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Em 2019, tornou-se juíza ad hoc da CIJ (Corte Internacional de Justiça) em um processo no qual Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya.

Mais tarde, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado entre 2021 e 2025.

Sob sua liderança, a comissão concluiu, em relatório divulgado no ano passado, que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza — conclusão rejeitada pelo governo israelense.

Em abril de 2015, Pillay tornou-se a 16ª comissária da Comissão Internacional contra a Pena de Morte.

Ela também integra a Comissão de Informação e Democracia, iniciativa lançada pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ao longo da carreira, sua atuação se concentrou na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento de mecanismos internacionais para investigar e responsabilizar autores de violações graves.

Ao anunciar a concessão do Nobel da Paz, o Comitê Norueguês do Nobel destacou o papel de Pillay no desenvolvimento de um sistema internacional de Justiça, além de sua rigorosidade jurídica, integridade e coragem.

O comitê também ressaltou a importância de instituições capazes de responsabilizar autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, em um contexto de aumento de conflitos e de pressões políticas sobre tribunais e organismos internacionais.

Pillay por suas próprias palavras

Em um artigo de opinião publicado na CNN há cinco anos, Navi Pillay refletiu sobre o trabalho de sua vida, os direitos humanos na África do Sul e o estado do direito internacional 75 anos após os Julgamentos de Nuremberg terem lançado suas bases.

“Como estudante de direito em 1963, fiquei fascinada pelos casos de Nuremberg que estudei atentamente na biblioteca; eles me deram uma estrutura para entender os crimes da era do apartheid e como a lei poderia combater a violência e a desigualdade patrocinadas pelo Estado”, escreveu ela.

“Tornei-me advogada em 1967, quando nenhum escritório de advocacia me contrataria por ser uma ‘pessoa de cor’. Defendi ativistas antiapartheid, denunciei a tortura de presos políticos e processei com sucesso para impedir a tortura do meu próprio marido, que estava detido. Consegui acesso a advogados para presos políticos, incluindo Nelson Mandela. O primeiro gabinete de juiz em que entrei foi o meu próprio, em 1995, como a primeira mulher não branca a servir no Supremo Tribunal.”

Ela escreveu sobre sua experiência como uma das primeiras juízas eleitas para o Tribunal Penal Internacional, órgão criado em 2002 para processar indivíduos acusados ​​de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

“Embora a criação do TPI em si tenha sido uma conquista notável, e tenha alcançado alguns sucessos importantes, nosso trabalho ainda está apenas começando”, escreveu ela. “Quando olho ao redor do mundo, vejo a lacuna entre nossas aspirações e as experiências das vítimas em todo o mundo.”

“O caminho para a implementação dos princípios de Nuremberg é um símbolo da aspiração e do progresso da humanidade rumo à justiça. Temos a obrigação moral de continuar nosso trabalho coletivo por um futuro mais justo e pacífico em nome das próximas gerações.”


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