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‘Povo segue sofrendo. Não houve liberdade, diz venezuelano após ataques dos EUA

Há que evitar sair às ruas porque na Venezuela não há governo, há um vazio de poder e está cada um por um lado, diz engenheiro.

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Morador de Santa Elena de Uiarén, cidade venezuelana na fronteira com o Brasil, o técnico de comércio exterior Antonio Cardenas afirma, de acordo com O Globo, ter pouca esperança de que algo mude em seu país após os Estados Unidos atacar Caracas e levar o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York. Para ele, a ação americana foi um “show”, apenas para tirar Maduro do poder, mas as mesmas pessoas que davam respaldo a seu governo seguem por lá.

— O povo segue sofrendo, essa é a verdade. Nosso futuro é incerto. Não há um poder democratico na Venezuela. Os extremos, de direita e esquerda, são essa mentira. Quem está no meio sofre, o povo trabalhador e que quer uma economia que seja pujante. As pessoas estão decepcionadas e com muito medo, porque, afinal, não houve liberdade na Venezuela. Não acredito que os EUA vão solucionar nada. Eles não estão interessados na venezuela, estão interessados nos recursos da venezuela — disse ele.

O engenheiro mecânico Maikeel Contrera, que deixou a família no estado de Mérida, na Venezuela, para tentar uma vida melhor no Brasil, diz que a sensação é de insegurança com o que chamou de “vazio de poder”.

— Há que evitar sair às ruas porque na Venezuela não há governo, há um vazio de poder e está cada um por um lado. As pessoas inocentes correm o risco de os grupos armados se enfrentarem. O risco é que não há lei. Há grupos armados em cada estado mandados por coronéis — disse ele ao cruzar a fronteira na manhã deste domingo.

Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país.

O trabalhador ambulante David Andrés, de 56 anos, e o operário Robert Rodrigues, de 25 anos, também chegaram ao Brasil em busca de oportunidade. Ao cruzar a fronteira neste domingo, eles dizem temer por quem ficou para trás.

— Minha família está toda lá. Está muito complicado. Estamos com medo por quem ficou — diz David.

Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.


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