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Novo estudo associa canetas emagrecedoras à redução de comportamentos violentos; entenda

Associação entre impulsividade e comportamento violento foi cerca de 62% mais fraca entre os pacientes em tratamento com as canetas.

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Um novo estudo publicado nesta quarta-feira (17) na revista científica Criminology encontrou uma associação entre o uso dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos muito usada para diabetes e obesidade e conhecida como “canetas emagrecedoras”, e uma redução de comportamentos violentos.

Os pesquisadores da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, analisaram dados de uma pesquisa realizada em 2025 com 7.521 adultos americanos, em que 821 já haviam utilizado um análogo de GLP-1 em algum momento na vida.

O estudo comparou as respostas de 597 pessoas que faziam tratamento atual com as canetas com as de 224 ex-usuários. As informações eram sobre impulsividade, consumo de álcool e comportamento violento, medido por meio de uma escala validada de autorrelato de delitos, que avalia práticas como brigas, agressões e roubos.

Após analisar os resultados, os pesquisadores confirmaram que níveis mais elevados de impulsividade e maior consumo de álcool estavam fortemente associados ao comportamento violento de forma geral, algo que já era conhecido. Porém, identificaram que essas relações eram significativamente mais fracas entre os usuários atuais de análogos GLP-1.

A associação entre impulsividade e comportamento violento foi cerca de 62% mais fraca entre os pacientes em tratamento com as canetas em comparação com os ex-usuários. Enquanto isso, a entre consumo de álcool e comportamento violento foi cerca de 52% mais fraca.

“À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam cada vez mais disseminados, é importante compreender todos os seus potenciais efeitos comportamentais, incluindo aqueles relevantes para a segurança pública”, diz Daniel Semenza, autor principal do estudo, diretor de pesquisa do Centro de Pesquisa para Violência Armada de New Jersey, da Escola de Saúde Pública da Universidade Rutgers, em nota.

Os pesquisadores destacam que o estudo foi observacional e transversal. Trabalhos do tipo analisam duas variáveis, neste caso o uso dos análogos de GLP-1 e o comportamento violento, e busca uma relação entre elas. Ainda que possam encontrar associações importantes, eles não conseguem confirmar se tratar de uma relação de causa e efeito, pois podem mascarar outros fatores envolvidos.

Por isso, os responsáveis pelo novo estudo enfatizam a necessidade da realização de mais pesquisas que acompanhem os pacientes ao longo do tempo para determinar se os análogos de GLP-1 de fato reduzem o risco de violência e para compreender melhor os mecanismos envolvidos.

Ainda assim, Christopher Thomas, professor da Universidade Rutgers e coautor do estudo, afirma que os achados “são consistentes com a ideia de que esses medicamentos funcionam de maneira semelhante à terapia cognitivo-comportamental, enfraquecendo o caminho entre o impulso e a ação, em vez de eliminar a impulsividade em si”.

As canetas simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina, motivo pelo qual as drogas são usadas também para diabetes tipo 2. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.

No entanto, estudos têm descoberto novos efeitos ligados ao uso dos fármacos relacionados ao comportamento do paciente, como uma redução no uso de drogas e no consumo de álcool.

Segundo os pesquisadores da Universidade Rutgers, possivelmente isso ocorre devido a uma interação com sistemas de recompensa e estresse do cérebro. O novo estudo se soma ao conjunto de evidências crescente sobre esses efeitos comportamentais.


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