Mundo
EUA retira recomendação de 6 vacinas infantis; comunidade médica reage
Governo de Donald Trump celebrou a mudança afirmando que o novo calendário é “mais razoável”.
O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira (5/1) a retirada da recomendação de seis vacinas do calendário de imunização infantil norte-americano. A mudança foi capitaneada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês), liderado pelo secretário Robert Kennedy Jr.
Deixaram de ser recomendadas a todas as crianças vacinas para:
Gripe;
Hepatites A e B,
Meningococcemia (bactéria que causa meningites);
Vírus sinicial respiratório; e
Rotavírus.
A mudança entra em vigor imediatamente. A lista que contava com 17 vacinas recomendadas para todas as crianças dos Estados Unidos agora tem 11.
Robert Kennedy Jr. é conhecido por uma postura antivacina e lidera o Departamento de Saúde desde fevereiro de 2025. Ele é sobrinho do ex-presidente dos EUA John F. Kennedy, morto em atentado, em 1963.
Nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, celebrou a mudança no calendário vacinal infantil e agradeceu a Kennedy e a outras figuras que “trabalharam duro para que a mudança acontecesse”. O republicano alega que o novo calendário segue padrões internacionais de países desenvolvidos.
Segundo Trump, ainda há a recomendação para 11 vacinas a crianças, para as doenças “mais sérias e perigosas”, que serão coberturas por seguro. O presidente norte-americano diz que o calendário novo é “mais razoável” e que a reforma era um “senso comum”.
Comunidade contesta
A comunidade médica dos Estados Unidos contestou a mudança no calendário vacinal infantil. O Centro de Pesquisa de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota divulgou um texto com especialistas criticando a mudança.
“Abandonar o processo baseado em evidências dos EUA é uma decisão perigosa e potencialmente fatal para os americanos”, disse Jason M. Goldman, presidente do Colégio Americano de Médicos. “As evidências são claras de que as vacinas previnem mortes, hospitalizações e a disseminação de doenças”, complementou.
O professor de medicina e doenças infecciosas da Universidade de Georgetown Jesse Goodman afirmou que a medida irá aumentar o número de infecções e hospitalizações. “Este é um dia muito triste para as crianças, para seus pais e para o nosso país em geral. Haverá mais doenças, mais infecções, mais hospitalizações”, frisou.
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