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Ebola: pela 1ª vez, diretor-geral da OMS decreta emergência internacional de saúde pública

Estágio mais alto de alerta da organização foi instaurado em meio a um surto do vírus que já acumula mais de 500 casos e 130 mortes suspeitas na República Democrática do Congo e em Uganda.

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, decretou, no último fim de semana, que o surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais alto de alerta da organização.

O anúncio pegou boa parte do mundo de surpresa, especialmente porque não seguiu um rito comum da organização. Geralmente, quando há um surto que preocupa a OMS, o diretor-geral convoca uma reunião do Comitê de Emergência, que avalia o cenário e dá recomendações ao órgão e aos países.

Entre elas, a orientação para que o diretor-geral decrete, ou não, o estágio de emergência internacional. Dessa vez, porém, Tedros decidiu se antecipar e determinar o status máximo de alerta antes mesmo de convocar a reunião: a primeira vez que isso é feito pelo chefe da OMS.

— Esta é a primeira vez que um diretor-geral declara uma PHEIC (sigla para emergência de saúde pública de importância internacional, em inglês) antes de convocar um comitê de emergência. Não tomei essa decisão de forma leviana. Fiz isso em acordo com o Artigo 12 dos Regulamentos Internacionais de Saúde, após consultar os ministros da Saúde de ambos os países (República Democrática do Congo e Uganda), e porque estou profundamente preocupado com a amplitude e a rapidez da epidemia — disse Tedros durante discurso na Assembleia Mundial da Saúde, que acontece em Genebra, na Suíça.

Logo depois do decreto, o diretor-geral convocou a reunião do Comitê de Emergência, que está agendada para esta terça-feira às 12h30 (horário de Brasília). “Após o encontro, o Comitê de Emergência vai aconselhar o diretor-geral da OMS sobre recomendações temporárias a serem emitidas à OMS e aos seus Estados-membros”, diz a organização sanitária em nota.

O Comitê de Emergência é um grupo formado por especialistas de diferentes nacionalidades selecionados para auxiliar a OMS e os Estados-membros a responder a ameaças de saúde pública emergentes que têm o risco de atravessar fronteiras e se disseminar pelo planeta. Após o encontro, o Comitê se reúne novamente a cada três meses para reavaliar se o cenário daquela doença continua a ser uma emergência internacional e para emitir novas recomendações.

O surto atual do Ebola é causado pela espécie do vírus conhecida como Bundibugyo, para a qual não há vacinas ou tratamentos específicos. A última atualização da OMS aponta que já são mais de 500 casos e 130 mortes suspeitas pelo vírus na província de Ituri, na RDC. Além disso, dois casos foram confirmados por laboratório, incluindo uma morte, em indivíduos que viajaram à RDC, sem ligação aparente entre si, em Kampala, capital de Uganda.

Essa é a 9ª vez que a OMS instaura o mais alto nível de alerta – e a terceira relacionada ao vírus Ebola. Confira abaixo as outras 8 emergências de saúde já decretadas pela organização.

A última emergência a ter sido decretada e a ter chegado ao fim foi relacionada à mpox em 2024 após uma nova linhagem do vírus ter sido associada a um surto com mais de 14 mil infectados e 524 mortos na República Democrática do Congo (RDC). Em maio de 2025, após uma diminuição de quase 90% no número de casos notificados, a OMS deu fim ao status de alerta.

Antes disso, em 2022, a doença, que já era endêmica em alguns países africanos, como na RDC, se disseminou pela primeira vez globalmente e de forma inédita por meio de relações sexuais. Nessa época, foi também a primeira vez que a OMS decretou emergência internacional por conta do vírus.

Naquele ano, a mpox atingiu todos os continentes habitados, provocando cerca de 85 mil casos e pouco mais de 120 óbitos. O Brasil foi o segundo país mais afetado. Porém, com a queda de novos casos, em maio de 2023, quase um ano depois, a OMS decidiu encerrar a emergência. Ainda assim, o vírus continua a circular em muitas localidades.

Covid-19 – 2020 a 2023

A pandemia da Covid-19 levou a OMS a instaurar emergência ainda no dia 30 de janeiro de 2020. A crise sanitária, uma das piores da História da humanidade, foi provocada por um novo coronavírus descoberto em 2019 na cidade de Wuhan, na China.

Até agora, foram registradas mais de 7 milhões de mortes e 700 milhões de infectados. Um novo relatório da OMS, porém, estima que o número de mortes excessivas entre 2020 e 2023 chega, na realidade, a 22 milhões, mais que o triplo. O total engloba tanto óbitos que não foram notificados oficialmente, como aqueles decorrentes do impacto da crise sanitária nos serviços de saúde.

No entanto, com a vacinação, que envolveu a maior campanha já realizada no planeta, os casos e, principalmente, a gravidade da doença diminuíram. Dessa maneira, também em 2023, no dia 5 de maio, a OMS deu fim ao cenário de emergência de saúde de importância internacional.

Ebola – 2019 a 2020 | 2014 a 2016

Antes do surto atual, já houve duas emergências internacionais pelo vírus Ebola. A última foi decretada em julho de 2019 devido a um surto também na República Democrática do Congo (RDC) e chegou ao fim em junho do ano seguinte.

A anterior foi o surto de maior magnitude que ocorreu na África Ocidental, instaurada entre agosto de 2014 e março de 2016. Ao longo de 28 meses, foram registrados 28,7 mil casos e 11,4 mil mortes, com temores de que a doença se espalharia para outros continentes e países.

Zika – 2016

Em fevereiro de 2016, em meio ao aumento de distúrbios neurológicos e malformações fetais devido à infecção de gestantes pelo vírus da Zika, transmitido pelo Aedes aegypti, a OMS decretou um cenário de emergência internacional. O status chegou ao fim em novembro do mesmo ano.

Gripe suína – 2009 a 2010

Alguns anos antes, em outro cenário que envolveu fortemente o Brasil, a OMS instaurou emergência de saúde pública internacional devido aos casos de gripe suína H1N1. A doença recebeu esse nome por ser uma nova versão do Influenza que infectava pessoas, porcos e aves.

O surto deixou cerca de 284 mil mortos, e a cepa H1N1 se tornou uma das que causam a gripe sazonal hoje. A emergência foi decretada pela OMS em abril de 2009 e durou até agosto de 2010.

Poliovírus – 2014 até agora

A pólio é uma doença viral antiga que causa paralisia infantil e foi erradicada em muitos países, como no Brasil, graças à vacinação. No entanto, frente à manutenção da transmissão internacional do patógeno, a OMS decidiu declarar uma emergência em maio de 2014, que continua em vigor até hoje. A medida é parte dos esforços para erradicar a doença do planeta.


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