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Bolívia retoma erradicação de plantações de coca após quase um ano de paralisação

Operação foi reiniciada na região de Cochabamba enquanto governo negocia cooperação antidrogas com os Estados Unidos.

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A Bolívia retomou a erradicação de plantações ilegais de coca após quase um ano de paralisação. A operação foi relançada em uma cerimônia na cidade de Chimoré, no Trópico de Cochabamba, nesta quinta-feira (5), onde militares iniciaram a destruição manual de novos cultivos, utilizando pás, picaretas e facões sob forte calor, segundo constatou a AFP.

A retomada ocorre em meio a um aumento das áreas cultivadas. De acordo com o United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), a área plantada pode ter chegado a 40 mil hectares em 2025 — cerca de 10% a mais do que no ano anterior e acima do limite legal de 22 mil hectares estabelecido pela legislação boliviana em 2017.

Operação em bastião político de Evo Morales

As ações começaram justamente na região considerada bastião político do ex-presidente Evo Morales, líder histórico dos sindicatos de produtores de coca. O relançamento da política antidrogas ocorre após as tensões entre Morales e o ex-presidente Luis Arce terem paralisado a erradicação ao longo de 2025.

Durante o ato em Chimoré, o ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, afirmou que o governo pretende combater o narcotráfico sem recorrer à violência. “Não viemos impor nada nem gerar conflito”, disse o ministro, acrescentando que o Estado não recuará “nem um milímetro diante dos narcotraficantes”.

A presença de autoridades e militares provocou desconfiança entre dirigentes cocaleros, que organizaram vigílias nas estradas e montaram pontos de observação improvisados para acompanhar as operações. Alguns produtores afirmaram temer que a cooperação com os Estados Unidos resulte em acusações de narcotráfico contra lideranças locais.

Paralelamente, o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro após duas décadas de governos de orientação socialista, negocia um acordo para o retorno da Drug Enforcement Administration (DEA). A agência antidrogas americana foi expulsa do país em 2008, durante o governo de Morales, e atualmente mantém apenas intercâmbio de informações com autoridades bolivianas enquanto um novo tratado de cooperação é discutido.

Entre produtores de coca da região, a possível presença da agência americana gera preocupação. Líderes locais afirmam que não aceitariam bases militares estrangeiras e temem que a cooperação leve à extradição de dirigentes ou a intervenções externas no país.

A Bolívia é atualmente o terceiro maior produtor mundial de folha de coca, atrás de Colômbia e Peru. Embora parte da produção seja destinada a usos tradicionais — como mastigação e infusões —, organismos internacionais estimam que grande parcela da coca cultivada na região de Chapare acaba sendo desviada para a produção de cocaína, mantendo o país no centro do debate regional sobre o combate ao narcotráfico.


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