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Economia

Relp: adesão ao parcelamento de débitos do Simples Nacional acaba hoje; confira como proceder

Para aderir ao programa, o representante da empresa deve acessar o portal e-CAC, disponível no site da Receita Federal.

O prazo para adesão ao Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no Âmbito do Simples Nacional (Relp) termina nesta sexta-feira (dia 3). A instrução normativa com a prorrogação foi publicada no dia 31 de maio, no Diário Oficial da União. Podem entrar no programa até mesmo empresas — incluindo microempreendedores individuais (MEIs) — que não estejam atualmente no regime simplificado. Ou seja, mesmo que tenham sido excluídas ou desenquadradas, elas poderão parcelar suas dívidas, desde que tenham sido apuradas pelo Simples, com vencimento até fevereiro de 2022.

— Como grande parte dos programas de parcelamentos de débitos, este também é bastante interessante, mas é importante que as empresas se planejem para a adesão, fazendo um levantamento de todos os débitos existentes e tendo uma previsão no orçamento para honrar o pagamento — analisa Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Consultoria Contábil: — Os empresários que buscam aderir a parcelamentos precisam analisar o fluxo de caixa da empresa e buscar parcelas que caibam dentro do orçamento, sem comprometer compromissos futuros.

Para aderir ao programa, o representante da empresa deve acessar o portal e-CAC, disponível no site da Receita Federal (receita.fazenda.gov.br), e clicar em “Pagamentos e Parcelamentos”, seguido de “Parcelar dívidas do SN pela LC 193/2022 (RELP)” ou “Parcelar dívidas do MEI pela LC 193/2022 (RELP)”, conforme o caso. As adesões também estão disponíveis pelo Portal do Simples Nacional, num link específico.

A aprovação do pedido de adesão ficará condicionada ao pagamento da primeira prestação, e quem não pagar integralmente os valores de entrada até o 8º mês de ingresso no Relp terá a adesão cancelada.

De acordo com Mota, podem ser incluídos débitos que já estão em parcelamentos anteriores, ativos ou não.

— O Relp abrange débitos de natureza tributária e não tributária, mas não podem ser parcelados débitos previdenciários, salvo os que estão incluídos no Simples Nacional. A adesão se dará por requerimento ao órgão responsável pela administração da dívida, e a abrangência será indicada pelo solicitante inadimplente — afirma.

Os débitos terão reduções das multas de mora ou de ofício, de juros e de encargos legais, inclusive de honorários advocatícios. O Relp terá encargos de atualização pela variação da taxa Selic em cada parcela e de 1% no mês do pagamento, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação dos débitos.

Confira os principais pontos do programa

1 – Quem pode aderir ao Relp?

Poderão aderir ao Relp as microempresas, incluídos os microempreendedores individuais (MEIs), e as empresas de pequeno porte (EPPs), inclusive as que se encontrarem em recuperação judicial, optantes pelo Simples Nacional.

2 – Prazo de adesão

A adesão ao Relp será efetuada até 03 de junho de 2022 e será solicitada perante o órgão responsável pela administração da dívida. O deferimento do pedido de adesão fica condicionado ao pagamento da primeira parcela.

3 – Débitos que podem ser incluídos

Poderão ser pagos ou parcelados no âmbito do Relp os débitos apurados na forma do Simples Nacional, desde que vencidos até 28 de fevereiro de 2022. O parcelamento abrange débitos constituídos ou não, parcelados ou não, e inscritos ou não em Dívida Ativa do respectivo ente federativo, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada.

4 – Modalidades de pagamento do Relp

As modalidades de pagamento estão vinculadas ao percentual de redução do faturamento de março a dezembro de 2020, comparado a março a dezembro de 2019, ou inatividade da empresa. A pessoa jurídica deverá pagar uma entrada em até oito parcelas, e o saldo remanescente em até 180 parcelas (totalizando 188 prestações, ou 15 anos e meio). É importante reforçar que, no tocante aos débitos de INSS (dentro do Simples Nacional), a quantidade máxima será de 60 parcelas mensais e sucessivas (art. 5º, § 6º).

5 – Entrada

Poderá ser paga em até oito parcelas mensais e sucessivas, sem reduções.

6 – Saldo remanescente

O saldo remanescente (após o pagamento da entrada em oito parcelas) poderá ser parcelado em até 180 cotas mensais e sucessivas, vencíveis a partir de maio de 2022, calculadas de modo a observar os seguintes percentuais mínimos, aplicados sobre o saldo da dívida consolidada:

– Da 1ª até a 12ª prestação: 0,4%

– Da 13ª ate a 24ª prestação: 0,5%

– Da 25ª até a 36ª prestação: 0,6%

– Da 37ª prestação em diante: percentual correspondente ao saldo remanescente da dívida consolidada com reduções, em até 144 prestações mensais e sucessivas (Simples Nacional) e 16 parcelas para INSS (patronal e empregados)

7 – Valor mínimo das parcelas mensais

– R$ 300 para microempresa

– R$ 50 para o microempreendedor individual

8 – Atualização das parcelas

O valor de cada parcela mensal será acrescido de juros Selic, acumulado mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% relativamente ao mês em que o pagamento for efetuado.

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9 – Débitos em discussão administrativa ou judicial – desistência de processos

Para incluir débitos em discussão administrativa ou judicial, o devedor deverá desistir previamente das impugnações ou dos recursos administrativos e das ações judiciais, bem como renunciar a quaisquer alegações de direito (art. 6º).

10 – Rescisão do Relp

Observado o devido processo administrativo, implicará exclusão do aderente ao Relp e a exigibilidade imediata da totalidade do débito confessado e ainda não pago:

a) A falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou de seis alternadas

b) A falta de pagamento de uma parcela, se todas as demais estiverem pagas

c) A constatação, pelo órgão que administra o débito, de qualquer ato tendente ao esvaziamento patrimonial do devedor como forma de fraudar o cumprimento do parcelamento

d) A decretação de falência ou a extinção, pela liquidação, da pessoa jurídica aderente

e) A concessão de medida cautelar fiscal em desfavor do aderente (Lei 8.397/1992)

f) A declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ (arts. 80 e 81 da Lei 9.430/1996)

g) A inobservância do dever de pagar regularmente as parcelas do Help e do FGTS por três meses consecutivos ou por seis meses alternados

11 – Efeitos da adesão ao programa

A adesão ao Relp implica (art. 3º, § 2º):

a) A confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do devedor, na condição de contribuinte ou responsável, e por ele indicados

b) A aceitação plena e irretratável pelo devedor, na condição de contribuinte ou responsável, das condições do Relp estabelecidas na Lei Complementar nº 193/2022

c) O dever de pagar regularmente as parcelas dos débitos consolidados no Relp e os débitos que venham a vencer a partir da data de adesão ao Relp, inscritos ou não em Dívida Ativa

d) O cumprimento regular das obrigações para com o FGTS

e) Durante o prazo de 188 meses, contado do mês de adesão ao Relp, a vedação da inclusão dos débitos vencidos ou que vierem a vencer nesse prazo em quaisquer outras modalidades de parcelamento, incluindo redução dos valores do principal, das multas, dos juros e dos encargos legais, com exceção do parcelamento em 36 vezes de empresa em recuperação judicial (inciso II do art. 71 da Lei 11.101/2005).

A informação é do site Extra.

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