Economia
Reincidência atinge 85,32% dos consumidores que entraram na inadimplência em junho, apontam CNDL e SPC Brasil
O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Em junho de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que, do total de negativações, 85,32% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro do universo de reincidentes de junho, a maior parte (66,01%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,31% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,68% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em junho, esse período foi de 73 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2026, houve um crescimento de 14,99% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.

“O indicador de reincidência escancara que a inadimplência no Brasil deixou de ser um imprevisto financeiro momentâneo para se tornar uma armadilha estrutural. A esmagadora maioria das pessoas que entram na lista de negativados já enfrentava restrições anteriores. Isso mostra que os acordos de renegociação frequentemente sufocam o orçamento das famílias, que são forçadas a escolher entre honrar o parcelamento da dívida ou arcar com os custos básicos do dia a dia, gerando um ciclo vicioso de endividamento.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Perfil dos devedores reincidentes
A análise do perfil dos devedores reincidentes em junho de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,35% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,89% mulheres e 46,11% homens.
O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso. São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 44,62% da população adulta.
Recuperação de Crédito piora
Os dados do indicador de recuperação de crédito mostram que, nos 12 meses encerrados em junho de 2026, houve crescimento de 3,78% no número de consumidores que conseguiram sair das listas de negativados. A comparação é com os 12 meses anteriores.

O crescimento do indicador acumulado em 12 meses se concentrou no aumento da recuperação de consumidores que levaram de 3 a 4 anos (36,29%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.
Observando a abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil em junho foi da faixa de 50 a 64 anos (23,98%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 50,97% mulheres e 49,03% homens.
Em junho de 2026, cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 2.510,98 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 59,19% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.

“Quando olhamos para a reincidência, fica claro o impacto devastador no poder de compra e no dinamismo econômico. A maioria dos consumidores não consegue se manter fora dos cadastros de inadimplentes por muito tempo, e a frequência rápida com que novas dívidas vencem trava a concessão de crédito e retira as famílias do mercado do consumo. É um cenário que reflete a extrema vulnerabilidade financeira da população, onde até mesmo débitos de valores muito baixos são suficientes para reter o orçamento familiar por longos períodos.”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
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