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Economia

Mulheres e pessoas das classes C, D e E são mais afetadas pela pandemia, diz Serasa

Segundo a pesquisa ‘Bolso dos brasileiros’, feita pela Serasa em parceria com a Opinion Box, a crise sanitária causou descontrole financeiro para quatro em cada 10 brasileiros.

A poupança acumula retirada líquida de R$ 27,54 bilhões nos três primeiros meses do ano. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Com elevação de 50% nos gastos, quando comparado ao início da pandemia, em fevereiro de 2020, e redução na renda para 38% dos entrevistados, houve uma queda no número de brasileiros que consegue pagar as contas em dia. A pandemia causou descontrole financeiro para quatro em cada 10 pessoas. Esses dados são apontados na pesquisa “Bolso dos brasileiros”, realizada pela Serasa em parceria com a Opinion Box.

De acordo com o levantamento, alguns perfis foram mais impactados pela pandemia. Mulheres e pessoas das classes C, D e E foram as mais afetadas pela crise não só nas questões financeiras, mas nas emocionais, também, principalmente diante do nome negativado. O desemprego e o endividamento trouxeram impactos no comportamento e nas emoções, como insônia e dificuldades para dormir (73%), além da concentração na execução de tarefas diárias (69%).

“Algumas diferenças históricas, que estavam em processo de diminuição, regrediram devido aos efeitos da pandemia. Fica nítido que, ao comparar os gêneros, as mulheres sofreram impactos mais negativos na vida financeira. Consequentemente, sentiram mais impactos no seu emocional.

Da mesma forma, o estudo evidencia que as classes classificadas pelo IBGE como C, D e E sofreram mais, até mesmo por terem menos posses e acesso restrito a alternativas de crédito para enfrentar esse período”, explica a especialista em Pesquisa e Comportamento do Consumidor da Serasa, Jéssica Vicente.

Prioridade nos pagamentos

Houve queda de cinco pontos percentuais (pp) no número de pessoas que conseguia pagar as contas no vencimento e uma alta de sete pp na priorização de quais contas pagar dentro do prazo, durante a pandemia, sendo que a busca por um equilíbrio mínimo nas finanças veio do corte de gastos.

Neste ano, o endividamento predominante corresponde aos planos de saúde, escolas ou faculdades. Em comparação à pesquisa realizada em 2020, com o mesmo perfil de entrevistados, a compra de mantimentos, gastos de rotina e os cartões de créditos lideravam os níveis de inadimplência, mesmo com o auxílio emergencial oferecido pelo governo federal.

Em relação a 2021, os serviços de assinaturas viraram essenciais, com o alto índice de pagamentos em dia, devido à recorrência. Já os cartões de crédito, ao contrário do ano passado, aparecem em terceiro lugar, com 74% dos pagamentos em dia.

Comportamento e bolso

Aspectos positivos em relação às finanças também foram identificados na pesquisa: 71% dos entrevistados dão mais valor a ter dinheiro guardado, agora, do que antes da pandemia; enquanto 64% concordam que aprenderam a cuidar melhor do dinheiro e 54% perceberam que faziam gastos desnecessários.

Porém, o estudo também deixa nítido que a alta de mais de 50% nos gastos consumiu as reservas dos brasileiros que possuíam dinheiro guardado. Parte dos brasileiros teve que usar as reservas financeiras para pagar as contas básicas de água, luz e gás. Além disso, o desemprego e o endividamento trouxeram impactos no comportamento e nas emoções, como insônia e dificuldades para dormir (73%), além da concentração na execução de tarefas diárias (69%).

O levantamento contou com a participação de 2.059 pessoas, entre 11 e 22 de fevereiro deste ano, para identificar os impactos causados pela pandemia na população, como o endividamento diante da alta do desemprego e retração econômica. As entrevistas foram feitas on-line, com homens e mulheres de todas as classes sociais, acima de 18 anos.

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