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Economia

Ibovespa tem queda de 11,5% no mês, pior resultado desde março de 2020; dólar valoriza 10,03%

Resultado da moeda norte-americana não compensa a baixa de 14,55% vista no período de janeiro a março, mas reduz as perdas do dólar no acumulado de 2022 para 6,14%.

O desempenho trimestral do principal índice da B3 também foi o pior desde o começo de 2020. (Foto:Reprodução)

No mês de junho, o Ibovespa caiu 11,5%, maior queda percentual desde março de 2020, quando foi duramente afetado pelo alastramento da pandemia pelo Brasil.

Já o dólar saltou 10,03% no mês, seu melhor mês desde março de 2020 (+15,92%), quando os mercados globais sentiram o choque inicial da pandemia de Covid-19.

O desempenho trimestral do principal índice da B3 também foi o pior desde o começo de 2020, com perda de 17,88%. Em 2022, cai 5,99%.

Na visão do sócio e estrategista da Meta Asset Management, Alexandre Póvoa, os bancos centrais dos países desenvolvidos estão nitidamente atrás da curva em relação à inflação, o que tem afetado prognósticos de investidores sobre a atividade econômica.

“A sensação de descontrole fez com que os investidores, antevendo um aperto monetário mais forte, começassem a projetar um cenário de recessão mundial, ou até pior, uma estagflação”, acrescentou o gestor.

A economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha, disse que, além da preocupação adicional com o comportamento dos preços nesse mês, a sinalização dos BCs de que estão dispostos atuar para conseguir arrefecer a inflação o mais rápido possível levou inevitavelmente a uma discussão sobre qual será o tamanho da desaceleração da atividade econômica.

“E esse cenário de juro alto, inflação persistente e recessão não é um cenário benéfico para emergentes, afinal é um cenário de propensão menor a risco e maior dificuldade de atração de investimentos dada toda a incerteza”, afirmou.

Para Póvoa, o mercado ainda está sob intensa neblina, dado que os BCs mundiais não estão seguros nem em relação ao ritmo e nem em relação ao final do processo de aperto monetário. “Sem essa visibilidade, dificilmente as bolsas se recuperarão.”

No Brasil, ele avalia que a bolsa vive o “pior dos mundos”, com ações de commodities sofrendo pelo receio de deterioração de atividade e as de mercado doméstico sendo penalizadas pelo estresse na curva de juros em razão de riscos fiscais.

O governo lançar mão de medidas fiscais, na visão de Póvoa, “claramente com fins eleitoreiros”, afetou o mercado de DI e NTN-Bs, aumentando a transferência de dinheiro de fundos de ações e multimercados a produtos de renda fixa. “E os resgates obrigam os gestores a vender, amassando ainda mais as cotações.”

Rocha também destacou que o componente de incerteza fiscal afetou os ativos brasileiro nesse mês. “A mensagem (do governo com as últimas medidas propostas) é que houve novamente um enfraquecimento da âncora fiscal… e esse enfraquecimento ocorre próximo à eleição, o que indica que novos furos no teto de gastos não podem ser descartados”, afirmou.

Para Póvoa, uma boa notícia em relação ao Brasil é que já há uma maior clareza sobre até que ponto o BC irá à taxa Selic, algo entre 13,5% e 14%, ficando nesse nível por muito tempo. “Além disso, tem muita barganha já na bolsa. O problema é saber quem vai comprar. O investidor local só quer saber de renda fixa e o estrangeiro está completamente avesso a risco. Enquanto isso, sofremos todos.”

Dólar

No segundo trimestre, o dólar teve um ganho acumulado da contra a brasileira de 9,83%. Isso não compensa a baixa de 14,55% vista no período de janeiro a março, mas reduz as perdas do dólar no acumulado de 2022 para 6,14%. A divisa está 13,53% acima da mínima para encerramento deste ano, de R$ 4,607, atingida no início de abril.

“A aversão a risco é global, não vale só para o real. Existe esse medo generalizado de uma recessão global, e, quando isso acontece, o investidor fica mais propenso a ir para ativos seguros”, como o dólar, disse à Reuters Michelle Hwang, estrategista de câmbio e juros do BNP Paribas.

Sinal desse clima arisco, os principais índices de Wall Street fecharam um semestre péssimo nesta quinta-feira, com o S&P 500 marcando sua pior primeira metade de ano desde 1970, enquanto os rendimentos dos Treasuries de dez anos – referência para investimentos – caíram abaixo de 3%, conforme investidores migram para a segurança da dívida dos Estados Unidos.

Os receios econômicos têm sido alimentados principalmente pelo posicionamento agressivo dos principais bancos centrais, que indicaram repetidas vezes que seguirão firmes no aperto da política monetária à medida que buscam domar a inflação, mesmo que isso tenha impacto negativo sobre o crescimento.

O Federal Reserve, por exemplo, já subiu os juros em 1,50 ponto percentual desde março deste ano. Além de tornar os empréstimos mais caros para famílias e empresas, o que tende a restringir o crescimento, isso torna a rentabilidade de outras moedas menos atraente quando comparada aos retornos oferecidos pelo dólar, favorecendo a divisa dos EUA, explicou Hwang.

Por outro lado, o Brasil ainda oferece uma taxa Selic interessante para investidores que buscam lucrar com diferenciais de juros entre dois países. Os custos dos empréstimos estão em 13,25% atualmente, com a maioria dos mercados esperando alta adicional de 0,50 ponto percentual em agosto, para 13,75%.

O BNP – instituição financeira com uma das visões mais agressivas para o patamar dos juros básicos – espera que a Selic chegue a 14,25% até o fim de 2022, o que Hwang vê como um fator que pode ajudar o real a mostrar alguma recuperação adiante, já que juros mais altos tornam a moeda brasileira mais rentável. O banco francês espera que o dólar encerre este ano em 4,85 reais.

Mesmo distante das mínimas do ano, o dólar ainda teve seu pior desempenho semestral frente ao real desde a primeira metade de 2016, quando caiu 18,61%.

Daqui para a frente, incertezas fiscais nacionais devem ditar o comportamento do dólar, em meio à tramitação no Congresso de uma PEC que estabelece um estado de emergência para ampliar auxílios sociais já existentes e criar um novo benefício destinado a transportadores autônomos, com custo total estimado em 38,75 bilhões de reais.

“O que o mercado teme… não é o impacto previsto, e sim entender o quanto ‘a porta ficou aberta’ para prorrogações ou até aumentos adicionais de gastos mais para frente, principalmente levando em conta que teremos eleições no fim do ano, fato que deve começar a reger os ânimos do mercado a partir do recesso parlamentar do meio deste ano”, disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

A informação é da CNN Brasil.

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