Conecte-se conosco

Brasil

Inovação: Versão brasileira de terapia celular contra o câncer apresenta 87,5% de eficácia e estará disponível no SUS

CAR-T Cell desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, da USP, junto com o Instituto Butantan teve resultados preliminares dos testes clínicos divulgados nesta semana.

versao-brasileira-de-terapia-c

O Ministério da Saúde divulgou, nesta quarta-feira,10/6, resultados preliminares dos testes de uma versão brasileira do CAR-T Cell, terapia celular inovadora contra o câncer, desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), com o Instituto Butantan. Nos estudos, 87,5% dos pacientes com cânceres hematológicos, especialmente linfoma, tiveram uma redução significativa ou mesmo desaparecimento dos tumores. Os dados ainda não foram publicados em revista científica.

O CAR-T Cell é uma terapia nova que envolve a edição genética de células de defesa do sistema imunológico chamadas de linfócitos T para que elas passem a reconhecer um determinado alvo e atacá-lo. É uma espécie de autotransplante, em que as células do paciente são coletadas, modificadas em laboratório, multiplicadas e reinseridas no paciente.

No Brasil e no mundo, a técnica já foi aprovada para alguns tipos de leucemias e linfomas. Para isso, os cientistas coletam e reprogramam os linfócitos T para reconhecerem e destruírem as células cancerígenas em circulação na corrente sanguínea. No entanto, o custo é elevado, chega a R$ 2 milhões por paciente, o que tem tornado o tratamento inacessível no país.

Por isso, entidades como o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Butantan, assim como o Einstein Hospital Israelita e a Fiocruz, que inaugurou um Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T em maio, têm trabalhado para desenvolver versões nacionais da ferramenta e, eventualmente, possibilitar uma incorporação a preços mais acessíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 2024, o Hemocentro e o Butantan deram início ao CARTHEDRALL, um estudo clínico de fase 1/2 voltado para pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B que não tiveram resposta ou apresentaram recidiva do câncer após os tratamentos convencionais, como quimioterapia e transplante de medula óssea. Ao todo, os testes vão englobar 81 pacientes, crianças e adultos, recrutados em cinco hospitais de São Paulo.

Até o momento, 75 participantes já foram cadastrados, dos quais 25 receberam o tratamento. Deles, quase 9 a cada 10 tiveram melhoras após a infusão do CAR-T Cell brasileiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve no Hemocentro de Ribeirão Preto, nesta quarta-feira, para o anúncio dos resultados preliminares. O governo federal investiu R$ 100 milhões no estudo.

— Os resultados são muito animadores. Os pacientes já haviam passado por diversas linhas de tratamento, como quimioterapia, radioterapia e transplante, e encontram nessa nova terapia uma nova esperança de cura e qualidade de vida. Estamos construindo a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. Atualmente, 96% dos tratamentos oncológicos já são ofertados pelo SUS — disse o ministro.

Um dos objetivos dos estudos é justamente viabilizar que o CAR-T Cell esteja disponível em breve no SUS. Na ocasião, Padilha disse que há uma expectativa de que a terapia esteja acessível jd entro de um ano. Antes disso, porém, os resultados completos dos testes precisam ser submetidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o órgão avalie se aprova ou não a terapia no país.


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 − 1 =