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Tesouro Reserva estreia com aplicação a partir de R$ 1 e rendimento ligado à Selic

Novo título do Tesouro Direto começa a ser oferecido nesta segunda-feira como alternativa à poupança, aos CDBs e às caixinhas digitais, com foco em simplicidade, liquidez e previsibilidade

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Tesouro Nacional lança oficialmente nesta segunda-feira (dia 11) o Tesouro Reserva, novo título público criado para investidores que buscam uma aplicação simples, de baixo risco e com possibilidade de resgate a qualquer momento. A novidade passa a integrar a plataforma do Tesouro Direto e chega ao mercado como concorrente da poupança, dos CDBs e das chamadas caixinhas digitais oferecidas por bancos e fintechs.

O produto permite aplicações a partir de R$ 1 e terá rentabilidade atrelada à taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano. A proposta do governo é ampliar o acesso de pequenos investidores ao mercado de renda fixa e estimular a formação de reserva financeira.

A principal diferença em relação ao tradicional Tesouro Selic está na simplificação da operação. Segundo o Tesouro Nacional, o novo título foi desenhado para oferecer mais previsibilidade ao investidor, sem os efeitos da chamada marcação a mercado, mecanismo que altera diariamente o valor dos títulos conforme as expectativas para juros e inflação mudam.

Na prática, isso significa que o investidor poderá resgatar o dinheiro sem se preocupar com oscilações no valor do papel provocadas pelas condições do mercado. O resgate poderá ser feito a qualquer momento, inclusive com transferência via Pix.

O produto foi desenvolvido em parceria com o Banco do Brasil, que iniciou testes com alguns clientes nas últimas semanas. A oferta ao público geral começa nesta segunda-feira, data em que ocorre também o tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira, marcando o lançamento oficial do título.

Especialistas avaliam que o Tesouro Reserva tenta aproximar o Tesouro Direto da experiência oferecida por plataformas digitais e bancos, especialmente no segmento de reserva de emergência.

Para Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, a combinação entre liquidez, segurança e facilidade de uso pode tornar o produto competitivo entre investidores conservadores.

— Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais] —, avalia o diretor.

Segundo ele, em um cenário de juros elevados, aplicações atreladas à Selic seguem atraentes para quem busca preservar capital sem abrir mão de rendimento.

A avaliação do mercado, porém, é que o novo título ainda precisará competir com produtos bancários que oferecem rentabilidade semelhante e, em alguns casos, vantagens tributárias.

— O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas — diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

Outro ponto que ainda gera dúvidas é a cobrança de taxas. A B3 ainda não detalhou qual será o custo operacional do Tesouro Reserva. Atualmente, os títulos do Tesouro Direto possuem taxa de custódia próxima de 0,20% ao ano.

Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o Tesouro Reserva

O que é o Tesouro Reserva?

É um novo título público do Tesouro Direto criado para investidores que desejam formar uma reserva financeira com aplicação simples, baixo valor de entrada e rendimento atrelado à Selic.

Qual o valor mínimo para investir e resgate?

O Tesouro Reserva terá investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes. O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via Pix.

O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos.

Qual a rentabilidade e o risco?

O novo título terá rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. Ainda não foi detalhado, porém, se a rentabilidade será equivalente a 100% da taxa.

Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.

Vale ressaltar que o investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação.

Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor.

Onde e como investir?

O investimento já pode ser acessado pelos clientes do Banco do Brasil, responsável pelo desenvolvimento do produto em conjunto com a Secretaria do Tesouro Nacional.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a disponibilização do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação feita por cada banco.

A pasta informou ainda que a aplicação seguirá o modelo tradicional do Tesouro Direto. No caso do Banco do Brasil, o cliente deverá entrar na área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, escolher o Tesouro Reserva, indicar o valor desejado e concluir a operação.

Nas demais instituições, a expectativa é que o processo seja semelhante assim que o título passar a ser oferecido.

Por que o Tesouro Reserva deve competir com CDBs e caixinhas digitais?

Com aplicação simplificada, baixo valor de entrada, possibilidade de resgate a qualquer momento e rentabilidade ligada à Selic, o Tesouro Reserva surge como uma opção competitiva frente aos CDBs, às caixinhas digitais e à tradicional poupança, avaliam especialistas.

❗Para relembrar: Os CDBs são aplicações de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro aos bancos em troca de uma remuneração em juros. Já as LCIs, voltadas ao financiamento do setor imobiliário, e as LCAs, ligadas ao agronegócio, também são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras e costumam atrair investidores por serem isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

As chamadas caixinhas digitais, por sua vez, funcionam como ferramentas oferecidas por bancos e fintechs para organizar objetivos financeiros, aplicando automaticamente os recursos dos clientes em produtos de renda fixa com liquidez diária.

Com informações do site Extra


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