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Roberta Luchsinger fez pagamentos a servidores de ministério, diz jornal

Roberta é investigada por suspeita de corrupção e tráfico de influência, junto com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT).

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que a lobista Roberta Luchsinger fez pagamentos a servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo. Roberta é investigada por suspeita de corrupção e tráfico de influência, junto com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT).

Conversas encontradas no celular de Roberta apontam que ela orientou o operador financeiro Ulisses Barbosa a fazer pagamentos em 2 de junho de 2023. Os comprovantes de depósito, segundo a PF, foram anexados aos diálogos recuperados no aparelho.

Entre as contas citadas pela PF está a de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e a de José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias. A terceira conta, segundo a investigação, pertence à mãe da filha de Martinho.

Até agora, investigações haviam encontrado pagamento ao ex-chefe de gabinete de Lula. Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu R$ 217 mil de Roberta.

Parte do dinheiro para os servidores do MDS teria saído de R$ 60 mil em espécie guardados na casa da lobista, de acordo com as mensagens. “Esse montante de 60k tem que ser diluído para depositar.. pq o banco faz uma série de questionamentos”, escreveu Barbosa. Roberta respondeu que o dinheiro seria enviado para três contas bancárias diferentes.

Operador relatou preocupação com alertas bancários em repasses altos. “Já estou no banco. Acima de 50 mil por dia por CPF a moça disse que o Banco Central já fica de olho… já aciona tipo um alerta lá. Só avisando”, disse ele, conforme a reportagem.

Procurado pelo jornal, o MDS não se manifestou sobre as informações relatadas na investigação. A PF ainda analisa a quebra de sigilos de Roberta e deve apurar se houve outros pagamentos a funcionários da pasta.

Advogado de Roberta disse desconhecer as mensagens e criticou vazamentos do inquérito. “A defesa desconhece tais conversas, insiste que os autos estão sob sigilo e lamenta esses vazamentos ilegais com puro interesse político eleitoreiro. Estamos seguros de que as autoridades não ficarão passivas diante de tais vazamentos”, afirmou Roberto Podval.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não tem relação com os fatos investigados e questionou a autenticidade das conversas. “Não é possível confirmar a autenticidade das mensagens e não nos cabe comentar sobre depósitos que não foram feitos pelo Fábio”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

Contratos e visitas ao ministério entram no radar

Seis meses após os depósitos, o MDS firmou contrato com a empresa 3Structure, do empresário Cléber Ribas, representado por Roberta, segundo a reportagem. A contratação foi de R$ 31,2 milhões em dezembro de 2023, com aditivo de R$ 2,7 milhões em novembro de 2025 e novo contrato de R$ 19,2 milhões em abril deste ano.

Em conversa de 20 de junho de 2023, Roberta disse a Ribas que estava com um dirigente do ministério. “To resolvendo seu problema”, escreveu ela, em mensagem citada pela PF.

Registros do ministério mostram que a lobista fez ao menos 17 visitas entre janeiro de 2023 e maio de 2024. De acordo com a pasta, Ranniêr foi responsável por recebê-la em ao menos seis entradas.

Ribas negou irregularidades e disse que a empresa desconhece pagamentos a servidores. “A 3Structure não tem conhecimento sobre tais pagamentos. Todos os contratos firmados pela empresa com o governo federal foram assinados em estrito cumprimento das normas aplicáveis às contratações públicas e submetidos a inúmeras instâncias decisórias, análises técnicas dos órgãos contratantes e auditorias do TCU”, afirmou.

O que a PF investiga

A PF abriu três inquéritos sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Roberta e Lulinha no governo federal. As apurações incluem uma tentativa de obter contrato de canabidiol no Ministério da Saúde e suspeitas na intermediação de negócios de Ribas com a Dataprev e outros órgãos, além de um terceiro inquérito sobre a atuação da lobista e do filho do presidente.

Mensagens também citam dinheiro em espécie guardado em malas e suposta entrega de valores a terceiros. “Trouxe a mala.. um lado tá os 500k, dou outra lado tá o que sobrou da mala + ou -“, escreveu Ulisses Barbosa, segundo a PF.

Diálogos analisados pela PF mencionam a entrega de R$ 193 mil ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. A defesa dele negou o recebimento: “O Fernando não reconhece como sendo ele o destinatário dos recursos, assim como desconhece a origem deles e as razões pelas quais a sra. Roberta Luchsinger citou seu nome neste contexto”, afirmou.


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