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Brasil

Região Norte registra a maior proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, aponta pesquisa do IBGE

De acordo com a pesquisa, o país tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o que representa 4,0% da população dessa faixa etária.

A Região Norte, com 249 mil pessoa, apresentou a maior proporção de crianças e adolescentes, ou 6,3% de sua população de 5 a 17 anos de idade, em situação de trabalho infantil. É o que apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), nesta sexta-feira (16/10), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho de Crianças e Adolescente, com dados de 2025.


De acordo com a pesquisa, o país tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o que representa 4,0% da população dessa faixa etária.

O maior contingente de pessoas de 5 a 17 anos de idade em situação de trabalho infantil encontrava-se na Região Sudeste, com 481 mil crianças e adolescentes nessa condição, seguida pelas Regiões Nordeste (408 mil pessoas); Norte; Sul (233 mil pessoas); e Centro-Oeste (128 mil pessoas). A Região Sudeste (3,3%), a mais populosa do País, ainda que abarcasse o maior contingente de pessoas em situação de trabalho infantil, registrou o menor percentual.

No Brasil, do contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 1,141 milhões milhão realizavam atividades econômicas, e 358 mil efetuavam apenas produção para o próprio consumo. Após queda em 2023 e uma pequena oscilação positiva em 2024, o percentual de pessoas em situação de trabalho infantil voltou a apresentar variação negativa em 2025, atingindo o menor nível da série (4,0%).

Entre 2022 e 2025, registou-se uma redução acumulada de 0,9 ponto percentual (p.p.) da proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Em 2025, o contingente de pessoas de 5 a 17 anos apresentou uma retração de 9,2% da população em situação de trabalho infantil em relação ao ano anterior, reduzindo-se esse contingente para 1,499 milhão, o menor valor da série histórica.

Na análise por grupos etários, observa-se que a prevalência do trabalho infantil tende a aumentar com o avanço da idade. Em 2025, para as crianças e adolescentes de 5 a 13 anos de idade, a estimativa foi de 1,1%; eleva-se para 5,9% no grupo de 14 e 15 anos; e mais que dobra entre as do grupo de 16 e 17 anos, alcançando 14,5%. Em comparação a 2024, observa-se uma oscilação negativa do percentual de pessoas em situação de trabalho infantil em todos os grupos etários analisados. Para os três grupos etários analisados, o ano de 2025 registrou o menor percentual de pessoas em situação de trabalho infantil da série.

Jornada aumenta com a idade

No grupo etário de 5 a 13 anos, 87,1% das pessoas em situação de trabalho infantil tinham uma jornada de trabalho de até 14 horas na semana; e, na faixa compreendida pelas pessoas de 14 e 15 anos, 43,3% trabalharam até 14 horas, seguindo as que tiveram uma jornada semanal de 15 a 24 horas (27,1%).

No segmento de 16 e 17 anos, por sua vez, apenas 20,4% trabalharam até 14 horas, ao passo que 29,6%, ao longo de 40 ou mais horas na semana. Observa-se que quase metade das pessoas do grupo de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil trabalhou um mínimo de 25 horas semanais.

Trabalho infantil, por sexo, cor ou raça

Em 2025, os homens correspondiam a 65,4% do total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Entre 2024 e 2025, a população masculina em situação de trabalho infantil caiu 10,0%, de 1 089 milhões para 980 mil pessoas, enquanto a feminina reduziu 7,5%, de 561 mil para 519 mil pessoas.

Na análise por cor ou raça, observa-se que 3,2% das crianças e adolescentes declarados brancos estavam em situação de trabalho infantil em 2025, abaixo, portanto, do percentual observado para aquelas de cor ou raça preta ou parda (4,4%).

Houve diferenças, também, na frequência à escola, uma vez que 97,5% das pessoas de 5 a 17 anos de idade eram formadas por estudantes, enquanto entre aquelas em situação de trabalho infantil a estimativa baixava para 86,9%. Ressalta-se, no entanto, que a disparidade na proporção de estudantes entre esses dois grupos pode ser influenciada por diferenças de composição etária.

No segmento de 5 a 13 anos de idade, observa-se a quase universalização da frequência escolar, com percentuais de estudantes acima de 99%, seja na população total, seja entre as pessoas que estavam em situação de trabalho infantil. Entre as pessoas de 16 e 17 anos, verificou-se a maior discrepância: 89,6% da população desse grupo frequentava escola, enquanto apenas 79,6% daquelas em situação de trabalho infantil o faziam, alcançando 10,0 p.p. de diferença.

Atividades não agrícolas

Considerando o contingente de 1 132 milhão de pessoas em situação de trabalho infantil no trabalho principal, observa-se que elas estavam concentradas, principalmente, em atividades não agrícolas (83,3%). Esses trabalhadores infantis estavam inseridos, majoritariamente, como empregados (67,4%), seguidos por trabalhadores familiares auxiliares (19,0%) e por aqueles ocupados como empregadores ou trabalhadores por conta própria (13,6%).

Na análise por grupamentos de atividade econômica, observa-se que 29,0% das pessoas em situação de trabalho infantil estavam inseridas em atividades de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, seguidas por aquelas na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (16,7%). Os grupamentos Indústria geral e Alojamento e alimentação respondiam, respectivamente, por 12,5% e 12,2% das atividades exercidas por essa população, ao passo que nos Serviços domésticos estava 6,5% do contingente. Os demais grupamentos de atividade econômica abrangiam, conjuntamente, 23,1% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

Piores formas de trabalho infantil

Em 2025, havia 525 mil pessoas de 5 a 17 anos de idade em ocupações consideradas como piores formas de trabalho infantil (Lista TIP), o que representava 36,2% do total de pessoas desse grupo etário que realizavam atividades econômicas (1 450 mil pessoas). O contingente de crianças e adolescentes classificados na proxy da Lista TIP era constituído, majoritariamente, por homens (72,6%) e por pessoas de cor ou raça preta ou parda (68,3%).

O contingente de crianças e adolescentes na Lista TIP atingiu, em 2025, o menor patamar da série histórica (525 mil pessoas), o que ocorreu após uma oscilação negativa de 6,3% em relação a 2024 (560 mil pessoas). Analisando a série, destaca-se a queda acentuada ocorrida em 2023, quando o total de pessoas na Lista TIP reduziu 22,7% frente a 2022, ano em que havia 763 mil pessoas nessa situação. Desde então, apresentou oscilações negativas de menor magnitude em 2024 e 2025. Com esse resultado, entre 2022 e 2025 observou-se uma redução de 31,2% do total de pessoas de 5 a 17 anos exercendo as piores forma de trabalho infantil.

Rendimento de R$ 936

Em 2025, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido em todos os trabalhos das pessoas de 5 a 17 anos de idade que realizavam atividades econômicas foi estimado em R$ 967. Para as pessoas desse grupo etário que estavam em situação de trabalho infantil, o rendimento mensal foi estimado em R$ 936; contudo, para aquelas não classificadas em tal situação, o valor subia para R$ 1 060.

A estimativa de rendimento médio das pessoas em situação de trabalho infantil que eram estudantes foi de R$ 844, e esse valor aumentava, consideravelmente, para as que não frequentavam escola, chegando a R$ 1 326. Tal disparidade de rendimento entre estudantes e não estudantes pode refletir, entre outros fatores, diferenças tanto na composição etária entre esses dois grupos como no número de horas dedicadas, em média, ao trabalho.


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