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Polícia Federal rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro

No início da semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum da Superintendência da corporação.

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Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão já foi comunicada aos advogados do dono do Banco Master. Pivô de um dos maiores escândalos financeiros do país, Vorcaro enfrentava dificuldades para convencer autoridades de que estava disposto a cooperar efetivamente com as investigações. A informação foi publicada pelo G1.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), que também participa da negociação, ainda não apresentou uma decisão formal sobre a colaboração.

Se assim entender, o Ministério Público ainda pode prosseguir com o processo de validação da delação, que só poderá ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No início da semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum da Superintendência da PF em Brasília, onde está detido, e passou a ter restrições mais rígidas nas visitas de advogados.

Além da transferência, a PF também endureceu as regras para acesso de advogados ao banqueiro. As visitas passaram a seguir controles mais rígidos e horários específicos definidos pela custódia da corporação. Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não se manifestou sobre as mudanças.

Há dois meses, Vorcaro firmou um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada. Diante do avanço das apurações e da sinalização de outros alvos de que também pretendem entregar informações em troca de benefícios, advogados e integrantes da PF e da PGR avaliam que Vorcaro precisa dar mais substância à confissão de crimes e os envonvidos nos crimes financeiros.

A primeira versão, entregue por sua defesa em 5 de maio, foi considerada insuficiente. Investigadores entendem que o material extraído dos celulares do próprio Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, contém muito mais elementos do que os relatos apresentados até agora no rascunho da delação.

Vorcaro não mencionou, por exemplo, a suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em valores que chegariam a R$ 500 mil, como revelou a colunista Malu Gaspar, de O Globo.

A investigação aponta uma relação de proximidade entre o banqueiro e o parlamentar, identificado pela PF como “destinatário central” de favores financeiros pagos pelo dono do Master.

A lista inclui o uso de um imóvel em São Paulo e o custeio de viagens internacionais, com despesas de hospedagem, restaurantes e voos privados.

Em nota, a defesa de Ciro declarou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Outro episódio que ficou de fora da primeira proposta de colaboração, como revelou a colunista Míriam Leitão, envolve cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo orçamento poderia chegar a R$ 124 milhões.

O site Intercept Brasil revelou trocas de mensagens do parlamentar combinando encontros com o banqueiro. O filho do ex-presidente admitiu as conversas, mas nega irregularidades.

Tanto os supostos favores a Ciro Nogueira quanto a relação com Flávio Bolsonaro vieram à tona após a apresentação da primeira proposta da defesa do banqueiro

A colaboração premiada é um instrumento de obtenção de provas que prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multa. Em troca, o investigado pode receber benefícios, como redução de pena.

Antes de iniciar as tratativas, Vorcaro havia feito dois pedidos aos investigadores: a transferência do presídio federal de Brasília e garantias de proteção a familiares.

A PF prendeu na semana passada Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, suspeito de ser operador financeiro da “Turma”, o braço armado da suposta organização criminosa comandada pelo dono do banco Master.

Segundo as investigações, Henrique também atuava como “demandante e beneficiário” do grupo suspeito de intimidar adversários de Daniel Vorcaro.


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