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Brasil

Pará registra 179 conflitos no campo e lidera assassinatos na Amazônia, aponta CPT

Estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional de violência agrária; mais de 25 mil famílias foram afetadas por disputas por terra, água e trabalho escravo.

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O Pará registrou 179 conflitos no campo em 2025 e se consolidou como um dos estados mais violentos do país para povos e comunidades rurais. Os dados fazem parte do relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que aponta o estado na segunda posição nacional em ocorrências de conflitos agrários, atrás apenas do Maranhão, que contabilizou 209 casos.

Segundo o levantamento, 25.854 famílias foram impactadas por disputas relacionadas à terra, água e violações trabalhistas. O relatório também aponta sete assassinatos ligados a conflitos no campo no Pará, colocando o estado no topo do ranking nacional ao lado de Rondônia.

“Os dados de 2025 revelam que a região Norte concentra as ocorrências de violência por terra que consequentemente acabam tirando vidas. São grupos sociais e/ou lideranças indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que cotidianamente são ameaçados pelo simples fato de resistirem e lutarem por seus direitos”, destaca Francisco Alan, coordenador regional da Comissão Pastoral da Terra Regional Pará .

A violência agrária no Brasil ocorre em meio ao avanço de grandes projetos econômicos sobre territórios tradicionais e áreas rurais.

“Em 2025, houve 26 assassinatos no campo, um número alarmante comparado a 2024, que teve 13. Essa violência contra a vida dos povos do campo, das águas e florestas é preocupante quando as reais raízes geradoras não são atacadas”, destaca Francisco Alan.

Segundo ele, regiões de expansão econômica como a AMACRO, na Amazônia, e o MATOPIBA, no Cerrado, contribuem diretamente para o agravamento dos conflitos ao pressionarem territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Terra segue como principal foco de conflito

Os conflitos por terra continuam sendo a principal causa da violência agrária no Pará. Em 2025, foram registrados 142 casos relacionados à disputa por ocupação e posse de terras.

Municípios como Santarém, São Félix do Xingu, Viseu, Barcarena e Altamira concentram parte significativa das ocorrências. Entre os grupos mais afetados estão comunidades quilombolas, povos indígenas, assentados da reforma agrária, trabalhadores sem terra, posseiros e ribeirinhos.

O relatório aponta fazendeiros como principais responsáveis pelos conflitos, com 59 registros associados. Também aparecem como agentes envolvidos os governos federal e estadual, além de madeireiros, grileiros, empresários e mineradoras.

Pará lidera conflitos por água

Pelo segundo ano consecutivo, o Pará lidera o número de conflitos por água no Brasil. Foram 21 registros em 2025.

Os casos envolvem contaminação por minério e agrotóxicos, destruição ambiental, impedimento de acesso à água e disputa pelo uso dos recursos hídricos. Povos indígenas e comunidades ribeirinhas estão entre os mais atingidos. O garimpo ilegal aparece como principal atividade relacionada aos conflitos hídricos.

Trabalho escravo e violência

O relatório também identificou 13 ocorrências de trabalho análogo à escravidão no estado, resultando no resgate de 44 trabalhadores. Os casos foram registrados principalmente em atividades ligadas à pecuária, carvoarias, extração de madeira e lavouras.

Além dos assassinatos, a CPT contabilizou: 105 pessoas vítimas de agressões físicas; 38 ameaças de morte; tentativas de assassinato e outros episódios de violência direta. As vítimas incluem trabalhadores sem terra, um pescador e um servidor público.

“São lideranças indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais ameaçadas simplesmente por resistirem e lutarem por seus direitos”, afirma Francisco Alan.

Lançamento dos dados do Pará

Os dados do Pará no relatório “Conflitos no Campo 2025” foram apresentados oficialmente nesta quinta-feira (7), durante evento promovido pela CPT Regional Pará, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Belém.

A programação contou com a apresentação dos números, depoimentos de trabalhadores atingidos pelos conflitos e debates com movimentos sociais sobre estratégias de resistência e enfrentamento à violência agrária.


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