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MEI: golpe usa declaração do Simples Nacional como isca. Veja como se proteger

Ambiente digital também tem sido palco de outras fraudes envolvendo pequenos negócios.

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Com a proximidade do fim do prazo de entrega da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) — no dia 31 de maio —, microempreendedores individuais (MEIs) devem ficar atentos não apenas ao calendário, mas também a golpes. Segundo o Sebrae Rio, as ameaças se intensificaram, com criminosos simulando comunicações oficiais para induzir pagamentos indevidos ou o roubo de dados. As mensagens chegam por e-mail, SMS e até por WhatsApp.

— Fique atento a e-mails suspeitos ou mensagens que solicitam dados pessoais e evite clicar em links desconhecidos — alerta Pedro Ferreira, analista do Sebrae Rio.

Os golpistas costumam adotar tom alarmista, com mensagens como “Seu CNPJ foi suspenso” ou “Prazo final para regularização”, direcionando o empreendedor a links falsos. O objetivo, segundo o Sebrae Rio, é receber pagamentos ou roubar dados pessoais ou bancários dos empreendedores.

Golpistas simulam comunicações oficiais

O Sebrae Rio explica que o Ministério da Fazenda e a Receita Federal não enviam cobranças por links e não solicitam dados pessoais por mensagens. Todas as obrigações, consultas e regularizações devem ser feitas exclusivamente pelos canais oficiais do Governo Federal.

Além dos MEIs, os donos de pequenos negócios em geral devem ter atenção a golpes virtuais. Dados do Governo do Estado do Rio indicam que, pela primeira vez na história, mais de 10 mil empresas foram abertas em um único mês: março de .026 Essa entrada de novos negócios no mercado, somada à complexidade do sistema tributário, amplia as oportunidades para cibercriminosos.

Fraudes com boletos e documentos falsos

Especialistas apontam que o envio de Documentos de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) falsificados por e-mail segue como uma das fraudes mais comuns. Nesses casos, os criminosos enviam mensagens com aparência profissional, direcionadas ao representante legal, contendo dados reais, como razão social e CNPJ. O objetivo é induzir o pagamento de boletos ou DARFs fraudulentos.

Os documentos falsos geralmente são enviados em formato PDF e reproduzem elementos visuais institucionais, como logotipo, identificação do contribuinte, valor, data de vencimento e até QR Code ou código de barras. Apesar da aparência legítima, o DAS não é gerado pelo PGDAS-D nem pelo Portal do Simples Nacional, e os valores pagos são direcionados a contas de criminosos.

— Embora o golpe do DAS não seja recente, temos recebido diversas consultas de empresários que ficam em dúvida ao receber cobranças aparentemente legítimas. É preciso muita atenção a qualquer informação recebida — afirma o advogado Denis Barroso, sócio da Barroso Advogados Associados.

De emissão de certificados a falsos consultores

O ambiente digital tem sido palco de outras fraudes envolvendo empresas do Simples Nacional, como emissão indevida de certificados digitais, manipulação de dados fiscais e pedidos irregulares de restituição. Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, chama atenção para esquemas ainda mais sofisticados.

— Em alguns casos, esses criminosos conseguem emitir certificados digitais falsos dos administradores ou da empresa. Eles retificam impostos pagos para diminuir os valores devidos, abrem contas bancárias em nome da empresa e solicitam a restituição de valores que supostamente foram pagos.

Segundo ele, ao acessar a área da empresa nos sistemas governamentais, os golpistas podem alterar dados de contato para evitar alertas.

Outro método envolve falsos consultores tributários que prometem recuperar créditos de PIS e Cofins. Na prática, trata-se de alterações indevidas na natureza da receita bruta para gerar restituições sem respaldo legal.

Consequências das fraudes para empresas

Barroso destaca que entre as principais consequências dessas fraudes estão multas e autuações fiscais, exclusão do Simples Nacional, danos à reputação e necessidade de medidas judiciais para reverter irregularidades.

Ele alerta que, em situações mais graves, o empresário pode enfrentar bloqueios e responsabilizações que extrapolam o prejuízo imediato.

— Dependendo da extensão da fraude, pode haver impacto direto sobre o patrimônio e sobre a regularidade da empresa, exigindo providências rápidas para restabelecer o controle — diz.

Como se proteger de golpes digitais

Pedro Ferreira, analista do Sebrae Rio, ressalta que proteger a empresa no ambiente digital é tão importante quanto cuidar do patrimônio físico. Segundo ele, com atenção e prevenção é possível manter a empresa segura e menos vulneráveis

— Proteger sua empresa no ambiente digital é tão importante quanto cuidar do patrimônio físico. Comece criando senhas fortes e ativando a autenticação em dois fatores, além de atualizar regularmente computadores, celulares e outros dispositivos utilizados no ambiente corporativo. Invista em ferramentas de proteção, como antivírus, e faça backups frequentes de arquivos importantes — diz.

Para evitar cair em golpes, o Sebrae e os especialistas recomendam:

– Não pague boletos recebidos por e-mail sem verificar a cobrança;

– Não clique em links enviados por e-mail ou WhatsApp de remetentes desconhecidos; se for de conhecido, confirme antes;

– Nunca informe dados pessoais ou bancários por ligação, e-mail ou link não verificado;

– Nas redes sociais, não compartilhe informações sem checar a procedência;

– Busque sempre canais oficiais para informações e serviços do governo brasileiro.

– Não compartilhe senhas e certificados com terceiros. Em situações em que for necessário, contrate procuradores com poderes claramente especificados no documento.

– Verifique periodicamente a autenticidade de seus certificados e atualize-os quando necessário.

– Utilize sistemas de acompanhamento de caixas postais e plataformas de comunicação para identificar movimentações suspeitas.

– Consulte periodicamente certidões fiscais através de sites governamentais

O Sebrae lembra ainda que o Ministério da Fazenda e a Receita Federal não enviam cobranças por links e não solicitam dados pessoais por mensagens. Por isso, todas as obrigações, consultas e regularizações devem ser feitas exclusivamente pelos canais oficiais do Governo Federal.


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