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Marinho busca aproximação com STF e promete evitar ‘vingança’ em governo Flávio Bolsonaro, informa O Globo

Coordenador da campanha se reúne com Fachin e tenta reduzir tensão entre bolsonarismo e Supremo antes do segundo turno.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), intensificou a interlocução com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pretende assegurar ao presidente da Corte, Edson Fachin, que um eventual governo do candidato não adotará uma política de retaliação contra integrantes do tribunal.

Segundo O Globo, Marinho tem reunião marcada com Fachin nesta terça-feira (6), às 13h, e deverá transmitir a mensagem de que “não haverá clima de vingança” em caso de vitória de Flávio, apesar da manutenção das críticas feitas por aliados do candidato à atuação de ministros do Supremo.

A movimentação faz parte de uma estratégia iniciada ainda antes do primeiro turno. Desde então, Marinho procurou individualmente integrantes do STF e conversou com Gilmar Mendes, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e o próprio Fachin. O senador também tenta agendar uma audiência com Cármen Lúcia.

A interlocução ganhou maior relevância após o resultado das urnas, com Flávio avançando ao segundo turno e o PL ampliando sua presença no Congresso. Diante desse cenário, aliados do candidato passaram a discutir como seria a relação de um eventual governo com o Judiciário e com os demais Poderes.

Marinho assumiu papel central nessa ponte com o Supremo e busca estabelecer um canal institucional em meio ao histórico de confrontos entre o bolsonarismo e a Corte.

A tentativa de aproximação, porém, não significa o abandono das críticas ao tribunal. Na segunda-feira, questionado sobre a possibilidade de a campanha defender o impeachment de ministros do STF durante o segundo turno, Marinho evitou aderir diretamente à proposta, mas responsabilizou integrantes da Corte pela escalada das tensões.

“Primeiro, é lamentável que o Brasil, neste momento em que ele se encontra, com todos os problemas que nós temos e com todos os desafios que estão na nossa frente, esteja discutindo o Supremo Tribunal Federal. Isso acontece porque alguns dos seus integrantes se colocaram no centro do palco político”, afirmou.

O senador também acusou ministros de se manifestarem politicamente fora dos processos judiciais e de interferirem na Justiça Eleitoral. Na avaliação de Marinho, o resultado das eleições refletiria, em parte, uma reação dos eleitores a esse comportamento.

“Nós estamos assistindo a um espetáculo deprimente de ministros que falam a respeito de política fora dos autos dos processos, que emitem opinião, que interferem na Justiça especializada e que demonstram claramente uma preferência política a favor de um espectro ideológico. Então, nós acreditamos que o que aconteceu no Brasil também tem a ver com uma resposta da sociedade, que está cansada desse tipo de interferência, de hipertrofia de um Poder sobre os demais Poderes da República”, disse.

A posição que Marinho pretende apresentar a Fachin também já foi defendida publicamente por Flávio Bolsonaro. Durante as manifestações de 7 de Setembro, em um dos momentos de maior tensão entre sua campanha e o Judiciário, o candidato afirmou que não utilizaria a Presidência para retaliar ministros do Supremo.

“Jamais usaria a caneta para fazer vingança. Impeachment é com o Senado. O Supremo não precisa ter medo. […] O Supremo tem que respeitar a Constituição. […] Da minha parte, não vai ter vingança”, declarou Flávio.

O debate sobre a relação entre um eventual governo do PL e o STF também se conecta ao futuro político do próprio Marinho. O partido saiu das urnas com 121 deputados federais e ampliou sua bancada no Senado para 28 integrantes. O desempenho fortaleceu o nome do senador como possível candidato à presidência da Casa.

Caso chegue ao comando do Senado, Marinho passaria a ocupar uma posição diretamente relacionada às tensões com o Supremo, uma vez que cabe à Casa analisar pedidos de impeachment contra ministros da Corte.


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