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Brasil

Mais de 65% dos acordos salariais na Região Norte ficaram abaixo da inflação em 2021, aponta Dieese

O percentual na Região Norte ficou bem acima da média nacional, de 47,7%, pior resultado em quatro anos, desde que o Dieese começou, em 2018, a avaliar as negociações.

Mais de dois terços (65,5%) das negociações salariais do setor privado na Região Norte do País perdeu para a inflação em 2021, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (20/01) pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O percentual na Região Norte ficou bem acima da média nacional, de 47,7%, pior resultado em quatro anos, desde que o Dieese começou, em 2018, a avaliar as negociações inseridas na base de dados do Mediador do Ministério do Trabalho. Se for considerada uma série mais longa, iniciada em 1996 e que leva em conta uma amostra menor, de 800 categorias, o resultado nacional foi o mais fraco desde 2003.

No ano passado, 47,7% das negociações salariais no País ficaram abaixo da inflação medida pelo INPC do IBGE, que fechou 2021 com alta de 10,16%. Já 36,6% das negociações empataram, e apenas 15,8% superaram a inflação. O reajuste médio de 16,3 mil negociações concluídas e inseridas até 6 de janeiro na base de dados ficou em 0,86% abaixo da inflação.

Entre as regiões, o melhor desempenho foi o do Sul do país, como apontado em levanta-mentos anteriores. Cerca de ¾ das negociações nos estados dessa região resultaram em reajus-tes iguais ou acima da inflação (27,5% do total estipularam reajustes superiores ao INPC) – Gráfico 8.O Sudeste apresenta, até o momento, o segundo melhor resultado de 2021, com reajus-tes iguais ou acima do INPC em proporção próxima a 50% do total. Nas demais regiões, o per-centual de resultados abaixo do INPC variou em torno de 65%; os reajustes iguais à inflação fi-caram entre 18,6% e 28,9%; e aqueles acima do índice inflacionário, representaram cerca de 10%.

“Antes de 2018, a gente trabalhava com um painel mais restrito, que incluía as principais negociações”, diz o sociólogo Luís Ribeiro, técnico responsável pelo Sistema de Acompanhamento de Contratações Coletivas do Dieese.

Entre 1996 e 2002, a fatia das negociações que perdia para inflação girava em torno de 40%. Em 2003, com a inflação em alta, 58% das negociações ficaram abaixo do INPC. De 2004 em diante, a parcela de negociações com reajustes acima da inflação predominou. Mas, com recessão em 2015, o quadro piorou, observa. Ele destaca que, desde 2018, com o enfraquecimento da atividade agravado pela pandemia e a alta do desemprego, a situação complicou para o trabalhador.

“É um cenário delicado que resulta da combinação de inflação alta com grande ociosidade no mercado de trabalho”, observa o economista da LCA Consultores, Bruno Imaizumi. A grande parcela de reajustes salariais perdendo para inflação pode limitar o consumo e a atividade, com desdobramentos sobre a inadimplência. “É menos dinheiro injetado na economia”, diz, ressaltando que a prioridade do brasileiro hoje é comprar itens básicos.

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