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Frigoríficos da Amazônia não provam carne sem desmatamento, aponta estudo

Ao todo, 15 frigoríficos, pertencentes a oito empresas, foram analisados na Amazônia Legal. Todos ficam em Mato Grosso.

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Nenhum frigorífico da Amazônia brasileira habilitado para exportar para a União Europeia consegue provar que a carne produzida no local é livre de desmatamento. A informação é de um estudo da iniciativa Radar Verde obtido por Ecoa, segundo publicação no UOL.

Ao todo, 15 frigoríficos, pertencentes a oito empresas, foram analisados na Amazônia Legal. A pesquisa aponta que 13 frigoríficos apresentam baixo controle e dois têm controle muito baixo. Na prática, segundo a pesquisa, nenhum frigorífico habilitado consegue rastrear a cadeia produtiva a ponto de provar que a carne é produzida com desmatamento zero. Todos ficam em Mato Grosso.

Ainda que 80% das unidades monitorem fornecedores diretos, nenhuma comprova controle sobre fornecedores indiretos, as fazendas onde os animais passam a maior parte da vida antes do abate. Essa lacuna abre espaço para práticas como a “lavagem de gado”, quando animais criados em áreas desmatadas são transferidos para propriedades regulares antes da venda, dificultando a rastreabilidade.

De acordo com o estudo, as empresas analisadas têm um potencial de desmatamento que varia, em cada planta frigorífica, de 31 mil a 2,8 milhões de hectares. Trata-se do equivalente a 18 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

O levantamento sugere que o governo brasileiro unifique bancos de dados para melhorar a fiscalização. A ideia é juntar registros de movimentação de gado, cadastros de propriedades rurais e informações sobre áreas bloqueadas por desmate.

O índice Radar Verde mostra que os exportadores não cumprem a nova lei da União Europeia contra o desmatamento. A regra entra em vigor em 2027 e impede o bloco de comprar carne de áreas desmatadas após 2020.
A norma exige que os frigoríficos guardem a localização de todas as fazendas usadas na criação do gado. O objetivo é permitir a rastreabilidade total da origem da carne exportada.

Embora represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia ganha a cada ano mais importância como destino comercial. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação a 2024.

Um dos autores do estudo, o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon, afirma que o produtor brasileiro não pode depender apenas do mercado chinês. “No final do ano a China aprovou uma cota de importação que, caso ultrapassada, estipula tarifa adicional”, explica.

Barreto avalia que o país está longe da meta de preservação por causa de falhas históricas. Ele cita problemas no Código Florestal e nos sistemas atuais de rastreabilidade da carne, que não garantem uma análise completa da cadeia produtiva.

“Dado que a mudança climática está acelerando e está acelerando com impacto concreto no Brasil e no mundo, precisamos baixar o desmatamento independente de política pública. Esses compromissos dependem muito do compromisso das empresas, do setor privado, e isso precisa avançar”, disse Barreto.


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