Brasil
Empresários de fraude do INSS citam relação com ex-ministro de Jair Bolsonaro para viabilizar negócio
A reportagem obteve acesso a câmeras de segurança instaladas na residência de um os investigados, Anderson Cordeiro de Vasconcelos, em um encontro com Igor Dias Delecrode, integrantes do grupo de empresários apelidado de “golden boys”
Em gravações obtidas, alvos da Polícia Federal pela fraude bilionária contra aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) relataram como foram as tratativas com o ex-ministro da Previdência, José Carlos de Oliveira (PSD) para operar entidades envolvidas no esquema. As informações são do Estadão.
Procurada, a defesa dos empresários afirmou desconhecer os vídeos e que quem eventualmente vazou suas gravações cometeu crimes. A defesa do ex-ministro José Carlos de Oliveira afirmou que ele nega relação com os empresários.
A reportagem obteve acesso a câmeras de segurança instaladas na residência de um os investigados, Anderson Cordeiro de Vasconcelos, em um encontro com Igor Dias Delecrode, integrantes do grupo de empresários apelidado de “golden boys”.
Eles receberam o apelido por serem jovens na casa dos 30 e 40 anos e mesmo assim terem presidido formalmente as quatro entidades que controlaram.
‘O que a gente ganhava nem multinacional ganha’, disse empresário do escândalo do INSS.
O Estadão obteve acesso a 30 minutos de gravações de câmeras que ficavam ligadas 24 horas por dia no imóvel. Em todo o vídeo, os empresários se referem às associações que controlavam nominalmente e a uma parceria de negócios entre eles que só existiu nessa área.
Os empresários e José Carlos de Oliveira estão hoje monitorados por tornozeleira eletrônica, medida imposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O ex-ministro, que também presidiu o INSS e foi diretor de benefícios do órgão, já foi indiciado por ter recebido propinas de outra entidade do esquema, a Conafer. O inquérito sobre os “golden boys” está em fase final e o relatório ainda não foi apresentado.
As imagens obtidas pelo Estadão são de 22 de maio de 2025, um mês depois da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investigou os desvios de R$ 6,2 bilhões sobre aposentadorias. Sindicatos e associações que obtinham acordos com o INSS para oferecer seguros e planos de saúde a aposentados estão sob suspeita de fazer descontos indevidos sobre os benefícios de pessoas que nunca se filiaram a elas.
Associações ligadas a Igor e Anderson faturaram mais de R$ 700 milhões com o esquema. Na conversa obtida pelo Estadão, eles conversam sobre como tiveram ajuda de Wilson Roberto Gomes, pai de outro integrante dos “golden boys”, Felipe Macedo Gomes, para conseguir o primeiro acordo para operar a Amar Brasil Clube de Benefícios.
Delecrode diz: “O Felipe, ele sempre bateu no peito dele que conseguiu fazer o
negócio sozinho, sem ajuda de ninguém. Agora, você falou o que levou do pai dele?
‘Eu que consegui o negócio para vocês, eu que sentei lá com o Oliveira, eu que disse
que podia acreditar em vocês’”, disse.
Anderson concordou e citou a frase que teria sido dita por Wilson Gomes: “Faz pro
meu filho como se fosse pra mim”. Ele ainda disse: “Eu não sabia de nada disso, nem
que ia dar um helicóptero pro “big boss”. Anderson não deixou claro quem seria o
“big boss”.
Em outro trecho da conversa, eles conversam sobre como o esquema teria rendido ao pai de Felipe. Eles afirmaram que Felipe poderia recorrer ao dinheiro de Wilson Gomes, que teria levado R$ 7 milhões dos “golden boys”.
A história do grupo começa pela relação de amizade de Oliveira com o pai de Felipe Macedo Gomes, Wilson Roberto Gomes. Conhecido como “Xixa”, Wilson foi condenado por lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas. Preso com 16 kg de cocaína, um dos acusados disse que Xixa emprestou dinheiro a juros de 20% ao mês, usados para o comércio da droga.
A investigação mostrou que houve lavagem de dinheiro com notas fiscais da loja de carros de Xixa. Em 2013, atiradores fuzilaram o irmão de Xixa e um parente distante de Oliveira em frente ao Café Jornal, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. A polícia nunca identificou suspeitos do crime. Uma das vítimas, um irmão de Wilson, havia acabado de ser absolvido da acusação de ter sequestrado um dos líderes do roubo ao Banco Central, em 2005.
As informações são do Estadão.
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