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Delegado vê fraude em contrato de prefeitura com ONG ligada a Dark Horse

Presidente da Adpesp disse que houve investigação e que a Polícia Civil trabalha com “materialidade e em busca da autoria de crimes”

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O delegado e presidente da Adpesp (Associação de Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), André Santos Pereira, afirmou ao UOL que “há indícios de fraude” no contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go UP Entertaiment, que produziu o filme “Dark Horse” sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Presidente da Adpesp disse que houve investigação e que a Polícia Civil trabalha com “materialidade e em busca da autoria de crimes”. “Há indícios de fraudes, houve investigação, manifestação do TCM (Tribunal de Contas do Município) indicando 20 irregularidades nos contratos, então, a Polícia Civil está realizando seu papel amparada por decisões judiciais”, afirmou ao UOL. “A Polícia Civil não tem aliados políticos”. A operação deflagrada na segunda-feira mirou um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a gestão Nunes.

Polícia informou na segunda-feira que existem “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre instituto e produtora. Em ofício à Justiça, o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2.ª DICCA, apontou indícios de que “recursos públicos do programa ‘Wi-Fi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”.

Nunes argumentou que “não faz sentido [a polícia] ir atrás de um contrato da prefeitura de 2024, uma vez que o longa foi filmado posteriormente”. “Por que só agora veio essa questão?”, questionou o prefeito na manhã da segunda-feira, quando a operação foi deflagrada. “Esse processo foi feito em junho de 2024. A comunicação à Spcine [empresa pública de cinema e audiovisual da Prefeitura de São Paulo] de que teria a gravação do filme do Bolsonaro foi em outubro de 2025, mais de um ano depois. Não existe relação”, afirmou.

Prefeitura de São Paulo disse que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos”. “O contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”, afirmou a gestão em nota. A prefeitura informou ainda que colabora com as investigações e está à disposição das autoridades, “tendo já prestado informações”. Já o prefeito Ricardo Nunes disse que a operação se tratava de “perseguição política”.

“Ninguém está acima da lei”, afirma delegado. O presidente da Adpesp disse ainda que a função da polícia é realizar operações independentemente da pessoa que esteja envolvida. “A manifestação do prefeito e de outros atores conduz a discussão para o campo político”, afirma. ” O que temos que realizar para não confundir a população é a colocação das coisas nos lugares adequados.” Ele ressaltou que “pessoas não são maiores do que instituições” e que “político nenhum pode ser maior do que a polícia”.

O ICB informou que se colocou à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Em nota, o instituto afirmou que contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação. “Reafirmamos nossa convicção de que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição, bem como evidenciar a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados”, diz.

As informações são do UOL.


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