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Crédito imobiliário cresce 23% no primeiro semestre, aponta Abecip

Crescimento foi puxado por recursos da poupança, apesar de queda na captação da caderneta, graças às novas regras do setor

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar dos juros altos, as concessões de crédito imobiliário no Brasil somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre deste ano, o que representa um crescimento de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), ao todo, foram financiados aproximadamente 850 mil imóveis entre janeiro e junho, considerando as operações com recursos da caderneta de poupança, do FGTS e de outras fontes.

A expansão do crédito foi puxada pelos financiamentos lastreados na caderneta de poupança. As concessões para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, com um crescimento de 28,5% em relação aos R$ 72,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

As concessões via FGTS tiveram aumento de 22%, totalizando R$ 77,6 bilhões, impulsionadas pelo Minha Casa Minha Vida. Os financiamentos com recursos livres tiveram queda de 8% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025, alcançando R$ 9,6 bilhões frente aos R$ 10,4 bilhões do ano anterior.

A expansão na oferta de crédito com recursos da poupança ocorreu mesmo num cenário de queda no volume de depósitos na caderneta. As captações líquidas nessa aplicação financeira estão em queda há seis meses seguidos e, no primeiro semestre, o saldo nas contas da poupança caiu 0,31%.

Isso só foi possível porque, em outubro do ano passado, o governo (via Conselho Monetário Nacional) mudou as regras para destinação de recursos da poupança para o financiamento imobiliário. A nova regra criou um incentivo para os bancos darem essa finalidade às captações da caderneta. Para cada R$ 1 da poupança destinado ao crédito habitacional, o banco destrava o acesso ao mesmo volume de recursos da caderneta para usar livremente por um período de cinco anos.

Até então, 65% dos recursos captados pela caderneta eram direcionados obrigatoriamente para o crédito imobiliário, 20% ficavam retidos no BC como depósito compulsório e apenas os 15% restantes podem ser aplicados livremente pelos bancos.

Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, o resultado demonstra a força da demanda habitacional e a capacidade de adaptação do sistema de financiamento imobiliário, mesmo em um ambiente de juros elevados e captação mais restrita da poupança.

Com informações do site Extra


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