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Brasil

Com alta do petróleo, aéreas cortam 93 voos por dia no Brasil; região Norte é a mais afetada, aponta Anac

Oferta cai 4,3% em maio e afeta mais a região Norte; setor também se prepara para fim de incentivo fiscal nos combustíveis.

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As companhias aéreas brasileiras tiveram uma queda de 4,3% na oferta diária de voos em maio em comparação ao início de abril, o que representa 93 viagens a menos todos os dias. O volume cortado tira de operação 31 aeronaves de grande porte e representa cerca de 14.000 assentos diários a menos para os passageiros.

O Norte foi o mais impactado. O Acre lidera a lista dos destinos mais afetados, com um corte de 14,7% no número de viagens. O Amazonas aparece na sequência, com 13,6% de queda. Pernambuco (-11,2%), Goiás (-9,8%) e Pará (-9,3%) também foram afetados de forma significativa.

Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), obtidos por meio da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), mostram que, em 2 de abril, eram estimados 2.193 voos por dia no Brasil. Porém, informações de 12 de maio mostram que a projeção caiu para 2.100 voos diários.

O combustível mais caro em razão do conflito no Oriente Médio e o fim próximo de incentivos tributários para o setor contribuem para esse cenário.

Ao analisar o volume total, a redução também é refletida na comparação com o ano anterior. Em maio de 2025, foram realizados 66.309 voos, enquanto a projeção atualizada indica 65.105 voos no total em maio de 2026. Isso significa 1.204 decolagens a menos, uma queda de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O querosene de aviação é o principal responsável por essa redução na malha. Ele costuma representar cerca de 1/3 de todos os gastos das companhias.

Desde fevereiro, o preço do petróleo subiu no mundo todo em razão da guerra no Irã, o que tornou os custos operacionais dos aviões mais caros.

Outro fator de atenção para o setor é que o benefício de redução no pagamento de impostos sobre o combustível aéreo termina em 31 de maio. Sem esse incentivo fiscal, a expectativa é que os balanços financeiros das empresas fiquem ainda mais pressionados nos próximos meses.

Para lidar com a alta nos custos, as companhias escolheram manter as rotas que dão mais lucro, geralmente aquelas mais movimentadas por passageiros viajando a trabalho. Por isso, as reduções de voos atingiram algumas regiões de forma mais dura do que outras.

Segundo o jornalista Cristian Favaro, do Valor Econômico, a Azul tem ajustado suas rotas para que as operações continuem dando retorno financeiro. A empresa comunicou que pode realizar novos cortes se o cenário econômico não melhorar.

A Latam Brasil informou que, por enquanto, tem feito apenas mudanças pontuais nas viagens.

O cenário futuro indica um agravamento do quadro. A comparação das projeções da Anac mostra que as empresas já estimam uma diminuição de 121 voos diários para o mês de junho. O corte significa uma queda de 5,3% da malha projetada e representa 40 aeronaves a menos em operação.


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