Brasil
Candidatos declaram mais de R$ 100 milhões em ativos fora do Brasil; Novo lidera a lista com 38%
Partido Novo lidera com R$ 42,7 mi declarados no exterior; dinheiro vivo total chega a R$ 424,5 mi entre todos os candidatos.
Alexis Fonteyne é o deputado com mais bens declarados no exterior (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
122 candidatos às eleições de 2026 registraram junto à Justiça Eleitoral um total de pelo menos R$ 111,7 milhões em patrimônio fora do país. O levantamento, realizado pelo UOL, identificou 156 ativos no exterior distribuídos entre contas bancárias, imóveis e participações societárias.
A concentração é alta: os dez candidatos com os maiores valores no exterior reúnem R$ 83,3 milhões, o equivalente a 74,5% do total declarado.
O Partido Novo aparece na frente entre as legendas. Seus candidatos declararam juntos R$ 42,7 milhões no exterior, 38,2% de todo o patrimônio externo registrado. Dois nomes concentram a maior parte desse valor.
Alexis Fonteyne, ex-deputado federal que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo, informou R$ 24 milhões mantidos em conta corrente fora do Brasil. Somando os bens no país e no exterior, seu patrimônio total declarado à Justiça Eleitoral alcança R$ 40 milhões.
Eduardo Girão, candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Romeu Zema, declarou R$ 9,9 milhões sob a descrição “depósito bancário exterior US$ 1.802.002,00”. Juntos, Fonteyne e Girão respondem por 80% do valor declarado pelo Novo no exterior.
Outros nomes com bens fora do país
Hildon Chaves, candidato ao governo de Rondônia pelo União Brasil, declarou R$ 26 milhões como “participações societárias, aplicações, créditos e bens no exterior”, mas foi excluído do levantamento por conta da descrição vaga.
Com R$ 10,6 milhões em bens e investimentos fora do Brasil declarados à Justiça Eleitoral, Prisco Bezerra, que disputa a primeira suplência do União Brasil no Ceará, lidera entre os suplentes. No total, três candidatos a suplente de senador acumulam juntos R$ 18,4 milhões no exterior.
Ricardo Salles, deputado federal na disputa por uma vaga no Senado, possui entre seus bens uma propriedade rural em Portugal, avaliada em R$ 3 milhões. Já Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos e candidata pelo PSD, registrou R$ 4,8 milhões em ativos internacionais, incluindo ações da Grateful Limited, empresa com sede nas Bahamas, além de R$ 29 mil depositados em conta no Citibank de Nova York, conforme declaração entregue à Justiça Eleitoral.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil e candidato a deputado federal, declarou R$ 5 milhões em participação societária no exterior. Seu patrimônio total é de R$ 75 milhões, conforme a declaração.
O ex-atacante do São Paulo Luís Fabiano, hoje candidato a deputado pelo MDB, tem em seu patrimônio dois imóveis na Espanha que, juntos, totalizam R$ 4,6 milhões. O jogador viveu no país europeu durante seis anos de carreira.
O PSD aparece como segundo maior partido em patrimônio externo declarado, com R$ 21 milhões. O União Brasil vem em terceiro, com R$ 17 milhões.
Entre os bens declarados pelos candidatos de 2026 também figuram R$ 424,5 milhões em espécie. O número de concorrentes que afirmaram guardar dinheiro vivo chegou a 1.704.
As declarações à Justiça Eleitoral apontam que cofres particulares abrigam no mínimo R$ 5,3 milhões. Quando se somam a esse montante categorias correlatas, como ouro e depósitos bancários, o total sobe para cerca de R$ 8 milhões.
Algumas declarações chamam atenção por valores que parecem conter erros de digitação. Cabo Gregorio Silva, candidato a deputado estadual em Minas Gerais pelo Democrata, declarou R$ 95 milhões em dinheiro e um automóvel Fiat Uno por R$ 27 milhões, valores que aparentam ser erros de preenchimento. Clebio Lopes Jacaré, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro pelo União Brasil, declarou R$ 11,95 milhões em espécie.
Ney Santos, prefeito de Embu das Artes por dois mandatos e candidato a deputado federal por São Paulo pelo Republicanos, declarou patrimônio total de R$ 2,27 milhões. Desse valor, R$ 1,88 milhão, ou 83% do total, está em dinheiro em espécie. Os demais bens somam R$ 396 mil. Neste pleito, Santos é alvo de pedido de impugnação pelo Ministério Público por suspeita de envolvimento com o PCC.
Fundos com exposição internacional
Se forem considerados fundos brasileiros com exposição a ativos internacionais, o patrimônio no exterior dos candidatos chegaria a R$ 410,2 milhões, conforme levantamento do UOL. Otaviano Pivetta, candidato ao governo de Mato Grosso pelo Republicanos, concentra R$ 294,4 milhões em fundos com exposição internacional.
As declarações à Justiça Eleitoral seguem regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que informou que “a relação atual de bens deve conter a indicação do bem e o valor declarado à Receita Federal, dispensando-se a inclusão de endereços de imóveis, placas de veículos ou qualquer outro dado pormenorizado”.
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