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Brasil tem 406,2 mil dentistas, mostra levantamento inédito do Ministério da Saúde

Considerando técnicos e auxiliares, país tem 665.365 profissionais de saúde bucal, com desafios como desequilíbrio de categorias e desigualdades regionais.

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Um novo levantamento do Ministério da Saúde, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou que o Brasil tem 665.365 profissionais de saúde bucal, dos quais 406.252 são cirurgiões-dentistas, aqueles graduados em Odontologia. Os outros profissionais são 181,5 mil auxiliares de saúde bucal; 46 mil técnicos de saúde bucal; 24 mil técnicos de prótese dentária e 7,5 mil auxiliares de prótese dentária.

De acordo com a pasta da Saúde, os dados do estudo revelam um cenário marcado pelo crescimento acelerado de profissionais, concentração geográfica e desafios estruturais. Um dos pontos de atenção é a chamada “pirâmide invertida”, com predominância de profissionais de nível superior (dentistas) e menor presença de técnicos e auxiliares, “o que pode impactar a eficiência e a qualidade do atendimento”.

No Brasil, 65,26% dos profissionais de saúde bucal são dentistas, enquanto 27,8% são auxiliares, e 6,94% são técnicos, o que, segundo o Ministério, pode “comprometer a produtividade e a qualidade do atendimento”, por haver poucos auxiliares e técnicos para cada odontologista.

No Canadá, por exemplo, apenas 26,99% dos profissionais têm graduação em Odontologia, e a vasta maioria é formada por auxiliares (40,49%) e técnicos (35,26%). Nos Estados Unidos, o número é ainda menor: somente 20,19% são odontologistas, e metade dos profissionais é formada por auxiliares (49,77%).

Entre todos os profissionais, a força de trabalho é majoritariamente feminina nas atividades clínicas: as mulheres representam 65,5% dos cirurgiões-dentistas, 93,8% dos técnicos e 96,4% dos auxiliares em saúde bucal. Já nas áreas laboratoriais de prótese dentária, há predominância masculina, com homens representando 68,76% dos técnicos e 79,19% dos auxiliares.

Em relação ao perfil etário, dentistas e técnicos estão concentrados entre 30 e 39 anos, enquanto auxiliares tendem a ser mais velhos. Profissionais da prótese apresentam envelhecimento ainda mais acentuado, com grande parcela acima dos 50 anos, o que indica desafios futuros de reposição, segundo a pasta da Saúde.

O levantamento também mostra que 64,66% dos dentista são brancos e amarelos, enquanto 35,34% se identificam como pretos, pardos ou indígenas. Brancos e amarelos também são maioria entre técnicos e auxiliares de prótese dentária. Já entre técnicos e auxiliares de saúde bucal, a predominância é de indivíduos pretos, pardos ou indígenas, 63,85% e 53,88%, respectivamente.

Desigualdades regionais

Apesar do alto número de dentistas, o estudo destaca que há uma ampla desigualdade regional no Brasil. No geral, a proporção é de 19,49 dentistas para cada 10 mil habitantes, porém a maior parte (50,4%) está concentrada no Sudeste, onde a densidade chega a 23,61 para cada 10 mil pessoas. Enquanto isso, nas regiões Norte e Nordeste, a proporção é abaixo da média: 13,56 e 13,58, respectivamente.

O estudo mostra que o número de cursos de Odontologia no país saltou 617,9% entre 1991 e 2023, chegando a mais de 650, com quase 90% no setor privado. No mercado de trabalho, houve forte expansão entre 2003 e 2012, seguida de estagnação. Em 2023, foi registrada uma retomada, com crescimento de 11,4% nos vínculos formais.

Ainda assim, no caso dos dentistas, foi registrado somente 0,17 vínculo formal por profissional, ou seja, há uma predominância de trabalho autônomo ou informal entre os graduados. O setor público concentra 80,9% dos vínculos dos dentistas, enquanto técnicos e auxiliares atuam majoritariamente no setor privado. Segundo o Ministério da Saúde, há também “sinais de precarização”, como aumento de contratos temporários e baixos salários, especialmente entre técnicos e auxiliares.

Entre os dentistas, cerca de 27,6% possuem especialização, principalmente em Ortodontia, Implantodontia e Endodontia, com maior concentração no Sudeste e Sul. Apesar do crescimento de 62% entre 2013 e 2024, porém, áreas estratégicas para a saúde pública, como Patologia Oral e Prótese Bucomaxilofacial, ainda têm baixa oferta, indicando possíveis lacunas no atendimento às necessidades do país, diz o Ministério.

Em nota, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do ministério, Felipe Proenço, diz que a divulgação do estudo amplia o acesso à informação e coloca os dados “a serviço do debate público e da construção de políticas que fortaleçam a odontologia no país”.

Ele também destacou iniciativas para ampliar a formação de profissionais técnicos, como o Formatec-SUS, que integra um conjunto de ações para fortalecer a qualificação no Sistema Único de Saúde (SUS).


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