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Bispos da Amazônia reforçam urgência de ações ambientais e sociais em reunião no Ministério do Meio Ambiente

O encontro faz parte de uma agenda de incidências da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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Bispos da Amazônia apresentaram as principais preocupações e demandas dos territórios, em uma reunião realizada no Ministério do Meio Ambiente, na noite de segunda-feira, 31 de março, com a participação de representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O encontro faz parte de uma agenda de incidências da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e focou na crise socioambiental e climática que afeta a região, destacando a urgência de políticas públicas eficazes e estruturadas.

Os bispos da Amazônia foram representados pelo bispo de Roraima e presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), dom Evaristo Spengler; o arcebispo de Palmas e vice-presidente da rede, dom Pedro Brito Guimarães; e o bispo da prelazia de Marajó e secretário da Repam-Brasil, dom Ionilton Lisboa. Também participaram o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; o subsecretário adjunto geral, padre Leandro Megeto; e a secretária executiva da Repam-Brasil, irmã Irene Lopes.

Durante a reunião, os participantes reforçaram a necessidade de ações urgentes para enfrentar os desafios ambientais e sociais na Amazônia. Os bispos apresentaram um panorama atualizado da situação socioambiental, baseado na escuta realizada em 2023 junto às comunidades locais. “O olhar sobre as riquezas da Amazônia tem sido maior do que o olhar sobre as pessoas que nela vivem”, alertaram, denunciando a ausência de medidas concretas para proteger as populações tradicionais e garantir uma transição justa para uma economia sustentável.

A reunião abordou temas centrais como infraestrutura, a conjuntura da Amazônia no contexto da COP30 e o fortalecimento dos órgãos ambientais na região. A Repam-Brasil destacou o agravamento da emergência climática, evidenciado por eventos extremos que impactam diretamente as populações amazônicas.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reafirmou o compromisso do governo em manter um diálogo aberto e buscar soluções concretas para os desafios apresentados. Entre os pontos destacados, estão o fortalecimento dos órgãos ambientais, com novos concursos para Ibama e ICMBio, e a ampliação da presença do Estado na Amazônia.

A Repam-Brasil seguirá acompanhando o avanço das pautas e mobilizando esforços para garantir justiça socioambiental na região. A COP30 e a Cúpula do Tratado de Cooperação Amazônica são vistas como oportunidades estratégicas para reforçar ações climáticas e buscar financiamento adequado para a proteção dos territórios e populações amazônicas.

Ao final da reunião, os representantes do governo reafirmaram o compromisso de manter um diálogo contínuo para ouvir as reivindicações dos povos da Amazônia e encontrar soluções concretas para os desafios enfrentados.

Desafios e perspectivas para a Amazônia

O encontro também abordou a importância da continuidade do diálogo e da construção de parcerias, com foco na proteção ambiental e na justiça social. Foram reconhecidos avanços na reconstrução das políticas públicas voltadas à Amazônia, incluindo a redução do desmatamento e o fortalecimento de órgãos ambientais. “Estamos fortalecendo o Ibama e o ICMBio, com concursos para novos servidores, como parte desse processo”, destacou a ministra Marina Silva.

Outro ponto central da reunião foi a necessidade de combater o crime ambiental e o garimpo ilegal, destacando o envolvimento do crime organizado na Amazônia e a importância de ampliar a presença do Estado na região. Além disso, foram debatidos os impactos da contaminação ambiental, como a qualidade do ar e a poluição por mercúrio, que afetam diretamente a saúde das comunidades locais. Em 2023, a rede de monitoramento da qualidade do ar foi ampliada de poucos sensores para 127, revelando que as cidades amazônicas apresentam a pior qualidade do ar do Brasil nos últimos 20 anos, devido às queimadas e ao uso de diesel.

O monitoramento da contaminação por mercúrio, realizado com o apoio de órgãos como Ibama e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), também trouxe dados alarmantes sobre os níveis de poluição no solo, na água e até no sangue das populações afetadas pelo garimpo ilegal. No entanto, a conscientização sobre esses impactos ainda enfrenta desafios para ganhar amplitude no debate público.

A seca extrema na Amazônia foi outro ponto discutido, ressaltando a necessidade de um plano federal de contingência, já que os impactos ambientais agora afetam diversas regiões do Brasil. O governo tem buscado integrar diferentes setores para desenvolver estratégias mais efetivas diante dessa crise.

A COP30 e os desafios do financiamento climático

Sobre a COP30, enfatizou-se a necessidade de implementar ações concretas para o enfrentamento das mudanças climáticas, indo além da definição de diretrizes. O grande desafio global está na garantia de financiamento adequado para países vulneráveis, com uma meta de US$ 1,3 trilhão anuais. No entanto, a COP29 só conseguiu assegurar US$ 300 bilhões, evidenciando o déficit de investimentos.

A posição dos Estados Unidos foi mencionada como um entrave para avanços significativos, mas há expectativas de que a pressão interna e internacional possa levar a um maior comprometimento do país na agenda climática.

Com a proximidade da COP30, a Repam reforça a importância de uma abordagem integrada e articulada, que leve em consideração a realidade dos povos amazônicos e garanta soluções sustentáveis e justas para a região.


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