Conecte-se conosco

Brasil

ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do rio Amazonas, diz agência

Operação havia sido paralisada no início do ano devido a um vazamento de fluido de perfuração. ANP exigiu novas medidas de segurança.

anp-autoriza-petrobras-a-retom

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, que havia sido paralisada no início do ano devido a um vazamento de fluido de perfuração, segundo documento visto pela Reuters.

“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice [empecilho] ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício”, disse a ANP.

A agência, contudo, afirmou que a Petrobras foi notificada de que a retomada deverá seguir alguns condicionantes, como a troca de todos os elementos de vedação usados nas conexões da tubulação por onde passam os fluidos e treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento.

Vazamento

A Petrobras havia interrompido, em 6 de janeiro, a perfuração na na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo (4 de janeiro), foi imediatamente contido e isolado. A operação foi interrompida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama informou que já foi comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo.

O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.

Em nota divulgada na época, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.

Exploração da Foz do rio Amazonas

Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. O aval é exclusivo para pesquisa exploratória.

A atividade na região é duramente criticada por ambientalistas, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.

A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.

Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.

Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.

A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.

A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.

A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Potencial exploratório

O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.

Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.

Petrobras envia ao IBAMA relatório sobre vazamento na Foz do Amazonas

A Petrobras entregou ao IBAMA na 2ª feira (2/2) um relatório sobre o vazamento de quase 20 mil litros de fluido de perfuração durante a perfuração do poço de exploração Morpho no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. O acidente completou um mês ontem. Desde o dia 4 de janeiro, os trabalhos de abertura do poço estão suspensos.

No documento ao órgão ambiental, que investiga o acidente, a Petrobras diz que “em nenhum momento houve comprometimento da segurança do poço”, relata a Brasil Energia. “Os conjuntos solidários de barreiras permaneceram 100% íntegros e operacionais. As linhas auxiliares envolvidas não integram o sistema de barreiras de segurança do poço, não tendo sido identificada qualquer condição que representasse risco à integridade do poço, à segurança operacional, às pessoas envolvidas e ao meio ambiente”, afirma o relatório.

A petrolífera também forneceu mais detalhes sobre o vazamento, ocorrido durante testes e verificações prévias ao início da perfuração da fase 4 do poço pela plataforma NS-42 (ODN-II), da Foresea. Segundo a Petrobras, foi observada uma perda localizada de contenção de fluido de perfuração em linhas auxiliares do riser (tubulação que liga a plataforma ao poço).

A Exame lembra que o local do vazamento fica a cerca de 50 km do Grande Sistema de Recifes da Amazônia (GARS), formação única que ocupa cerca de 9.500 km² entre o Amapá e o Maranhão. Estudos mostram também três Territórios Indígenas, seis comunidades quilombolas e 34 Áreas Protegidas com alta vulnerabilidade à contaminação por hidrocarbonetos – incluindo o maior manguezal contínuo do país e um dos maiores do mundo.

Ao Valor, o IBAMA informou que acompanha a apuração e mantém contato com a Petrobras e também com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para avaliar a segurança operacional da retomada da atividade. Segundo o órgão, não há prazo para concluir a investigação. “O IBAMA acompanha o processo de apuração para, quando identificadas as causas da ocorrência, poder verificar se há necessidade de algum ajuste no processo de licenciamento ambiental.”

Nesta semana, a ANP iniciou sua auditoria sobre o acidente e a segurança da sonda de perfuração. Até sábado (7), técnicos do órgão regulador farão inspeções in loco, na própria plataforma. E a partir da próxima 2ª feira (9), as análises da ANP serão feitas remotamente.

A perfuração de Morpho somente será retomada após autorização da agência.


Clique para comentar

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dez − 5 =