Brasil
Amazônia Legal concentra quase metade dos processos de mineração de minerais estratégicos no Brasil, aponta estudo
Estudo da ANM aponta grande potencial para exploração de cobre, níquel, potássio, cobalto e terras raras, mas destaca necessidade de governança socioambiental e respeito aos povos originários
A Amazônia Legal concentra quase metade dos processos de mineração relacionados a minerais considerados críticos e estratégicos no Brasil, mas ainda explora uma parcela limitada de seu potencial. As informações fazem parte de um diagnóstico elaborado pela Agência Nacional de Mineração, divulgado pela Agência Gov, que busca oferecer uma base técnica para a construção de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Atualmente, a atividade mineral na região está concentrada principalmente na extração de ferro, bauxita, cobre e ouro. Minerais fundamentais para setores como tecnologia, defesa e transição energética, entre eles cobalto, terras raras e potássio, ainda não possuem produção significativa na Amazônia Legal.
Segundo João Vasconcelos, representante da ANM citado no estudo, “uma política pública de minerais críticos e estratégicos só é robusta quando parte de evidência”.
Quase metade dos processos está na Amazônia Legal
De acordo com o levantamento, 48,2% dos processos minerários de minerais estratégicos registrados no Brasil estão localizados na Amazônia Legal.
O Pará concentra 51% desses processos, seguido por Mato Grosso, com 19%, e Rondônia, com 10,3%. O ouro predomina em cerca de 67% das operações analisadas, indicando que a atividade mineral regional permanece fortemente concentrada em poucos produtos.
O diagnóstico aponta que a diversificação da mineração dependerá da ampliação dos investimentos em pesquisa geológica, inovação tecnológica e infraestrutura.
Investimentos somaram R$ 40,4 bilhões
Entre 2006 e 2024, foram investidos R$ 40,4 bilhões em minas e usinas relacionadas a minerais estratégicos na Amazônia Legal.
O cobre respondeu por 31,3% dos recursos, seguido por projetos de níquel, alumínio, ouro e manganês. Apesar do volume expressivo de investimentos, o estudo destaca a ausência de produção relevante de potássio, terras raras e cobalto.
Esses minerais são considerados essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos, baterias, sistemas de defesa, turbinas eólicas e veículos elétricos.
Pesquisa ainda está concentrada em ouro e cobre
Os investimentos em pesquisa mineral chegaram a R$ 4,9 bilhões no período analisado. O ouro concentrou 65,8% desse valor, enquanto o cobre recebeu 19,1%.
A ANM avalia que será necessário ampliar e diversificar os esforços de pesquisa para transformar o potencial geológico da região em produção efetiva de minerais estratégicos.
A expansão da pesquisa também é apontada como condição necessária para reduzir a dependência brasileira de importações e fortalecer cadeias industriais ligadas à transição energética.
Preservação ambiental e direitos indígenas
O diagnóstico ressalta que o aproveitamento das reservas minerais da Amazônia Legal deve ser acompanhado de uma governança socioambiental rigorosa.
Parte relevante do potencial mineral está localizada em áreas protegidas, territórios indígenas ou regiões de elevada sensibilidade ambiental. Por isso, o estudo defende consulta prévia às comunidades afetadas, licenciamento ambiental adequado e destinação de recursos para o desenvolvimento sustentável dos municípios envolvidos.
“Não dá para planejar o aproveitamento mineral da região de forma responsável sem reconhecer que parte relevante do potencial está em áreas protegidas”, afirmou Vasconcelos.
A ANM também destaca que a exploração mineral deve respeitar os direitos dos povos originários e ser acompanhada de instrumentos capazes de evitar desmatamento, contaminação de rios e conflitos fundiários.
Projetos estruturantes dependem de avanços
O estudo aponta a necessidade de destravar projetos considerados estruturantes para o setor mineral brasileiro, entre eles Autazes, Araguaia e Vermelho.
Para que esses empreendimentos avancem, será necessário ampliar a segurança regulatória, fortalecer parcerias entre os setores público e privado e garantir que as operações cumpram critérios ambientais e sociais.
A demanda global por minerais críticos deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionada pela expansão das energias renováveis, dos veículos elétricos, da indústria de defesa e das tecnologias digitais.
Nesse contexto, a Amazônia Legal poderá desempenhar um papel estratégico, desde que a exploração de seus recursos seja realizada com planejamento, controle público, preservação ambiental e respeito às populações locais.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário