Amazonas
Tenente da Aeronáutica preso em operação comandava um dos grupos de agiotagem no AM, diz polícia
Identificado como Caíque Assunção dos Santos, o militar foi preso em um condomínio de luxo no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus.
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta terça-feira (14), a segunda fase da Operação Tormenta e prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar um esquema milionário de agiotagem, extorsão, roubo e lavagem de dinheiro no estado. Entre os presos está um tenente da Aeronáutica, identificado como Caique Assunção dos Santos, apontado como um dos líderes dos grupos de agiotagem.
“Ele liderava um dos grupos de agiotagem existente aqui em Manaus e tinha vínculos com os demais grupos de agiotas que foram também desarticulados durante a primeira fase da Operação Tormenta”, explicou o delegado Cícero Túlio, titular do 1° DIP, que conduz as investigações.
A ação foi realizada por policiais do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e é um desdobramento da primeira fase da operação, realizada em fevereiro deste ano, quando seis pessoas foram presas em Manaus, entre elas, o homem apontado como chefe do esquema e dono de um banco usado como fachada para lavagem de dinheiro.
Prisões na segunda fase da operação
O tenente Caíque Assunção foi preso em um condomínio de luxo no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus. Com ele, foram apreendidos arma de fogo, munições, documentos, equipamentos eletrônicos e um veículo. Segundo a polícia, ele comandava um dos núcleos do grupo, que teria movimentado mais de R$ 150 milhões com as atividades criminosas.
Além do militar, foram presos: Ronan Benevides Freire Massulo, Alexsandro Carneiro Capote, Carlos Augusto da Silva Freitas e Dionas Pereira de Souza.
Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, agiotagem, extorsão, roubo majorado, falsidade ideológica, porte ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro.
Esquema de agiotagem e extorsão
Segundo as investigações, iniciadas em janeiro deste ano, o grupo era formado por núcleos de agiotas que atuavam de forma integrada. Eles ofereciam empréstimos clandestinos com juros abusivos, que podiam aumentar as dívidas em mais de 50% ao mês.
“São diversos grupos de agiotas que interligados entre eles realizavam cobranças de juros execessivos e as extorsões, inclusive a realização de roubos”, disse o titular do 1° DIP.
De acordo com a polícia, após conceder os empréstimos, os criminosos passavam a pressionar as vítimas com ameaças e cobranças constantes. Quando encontravam dificuldade para receber os valores, repassavam a dívida para outros grupos ligados ao esquema, fazendo a dívida crescer ainda mais e mantendo o ciclo de extorsão.
Vítimas e formas de atuação
As investigações apontam ainda que as principais vítimas eram servidoras públicas, especialmente mulheres que atuam em órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
Após conceder os empréstimos, os suspeitos passavam a extorquir as vítimas e, em muitos casos, se apropriavam de bens como veículos, joias, eletrônicos e até imóveis. Também tomavam, de acordo com a polícia, documentos pessoais e cartões bancários, chegando a controlar aplicativos para retirar dinheiro diretamente das contas das vítimas.
Continuidade das atividades criminosas
Na primeira fase, a polícia identificou pelo menos cinco vítimas. Uma delas, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), relatou que fez um empréstimo inicial de R$ 5 mil, mas a dívida cresceu rapidamente e chegou a valores milionários. Ela afirmou ter perdido dois imóveis e um carro, além de sofrer ameaças de morte e até de sequestro do filho.
Ainda durante esta fase da operação, a polícia cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueios judiciais, além de apreender armas, dinheiro, documentos e cerca de 30 veículos de luxo.
Mesmo com parte do grupo presa, as investigações apontaram que o esquema continuou funcionando por meio de intermediários, que mantinham as cobranças, ameaças e movimentações financeiras.
“Durante a primeira fase da Operação Torment, a gente conseguiu retirar parte dessa organização criminosa de circulação e mesmo com sete pessoas presas, eles continuaram e ainda debocharam da atuação da polícia e do Poder Judiciário”, explicou Cícero.
Empresas de fachada e lavagem de dinheiro
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro obtido com os crimes. Pelo menos seis empresas tiveram bloqueios financeiros determinados pela Justiça nesta segunda fase da operação.
Uma das empresas, ligada a investigados da primeira fase, teria movimentado mais de R$ 3,3 milhões, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Outros crimes e suspeitos foragidos
Ainda de acordo com a polícia, o tenente também é investigado por uma tentativa de homicídio registrada em fevereiro, na Zona Norte de Manaus. Ele teria fugido após o crime e abandonado o veículo, que foi apreendido.
Outros seis suspeitos seguem foragidos, e a polícia pede a colaboração da população com informações que possam ajudar a localizá-los. Veja quem são:
Igor Francys Costa do Cazal, conhecido como “Alemão”;
Francisco Miguel Ferreira Neto;
Gilmar Silva de Souza;
Bruno Luan Oliveira Vasquez;
Gustavo da Silva Albuquerque;
Marco Aurélio de Morais Pinheiro Júnior.
Não deixe de curtir nossa página no Facebook, siga no Instagram e também no X.













Faça um comentário