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Amazonas

Revista Science publica artigo de pesquisadores do Inpa com alerta sobre asfaltamento da BR-319

A Science é publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência e considerada, ao lado da Nature, uma das revistas acadêmicas mais prestigiadas do mundo.

Se a rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho for pavimentada antes da realização dos estudos ambientais necessários, “será um indicador decisivo da relutância do Brasil em cumprir seus compromissos sob as convenções de clima e de biodiversidade e provavelmente acelerará as mudanças climáticas antropogênicas (provocadas pela atividade humana)”.

A afirmação é dos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante e Philip Fearnside, publicada em artigo na revista Science, com o título ‘BR-319: O caminho para o desmatamento da Amazônia’. A Science é publicada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência e considerada, ao lado da Nature, uma das revistas acadêmicas mais prestigiadas do mundo.

Eles informam que uma decisão judicial que não está mais sujeita a recurso determinou que estudos ambientais devem ser realizados antes da pavimentação de uma parte da rodovia designada como “lote C”, mas que, o entanto, em 24 de junho, o governo federal abriu licitação para pavimentar esse trecho de estrada. O trecho tem 405 quilômetros e é chamado de “centrão”, pois fica exatamente no meio da rodovia que já tem outros 400 quilômetros asfaltados, sendo 200 quilômetros em cada extremidade.

Os cientistas dizem que Ministério Público Federal caracterizou essa violação de uma decisão judicial como “má-fé” e uma “afronta” ao judiciário. E que a justificativa de um representante do poder executivo era que a pavimentação não causaria aumento no tráfego na rodovia, uma opinião sem qualquer base técnica”.

Ele também dizem que a pavimentação de estradas no interior da Amazônia tem sido demonstrada a aumentar o número e o tamanho dos veículos e resultar em maior migração, especulação de terras e desmatamento. “O não cumprimento da decisão judicial pelo governo abrirá um precedente perigoso para outros mega projetos de desenvolvimentos na Amazônia, incluindo barragens hidrelétricas e o projeto Barão de Rio Branco, que construiria uma estrada através de uma série de unidades de conservação e áreas protegidas para povos tradicionais”, afirmam.

O artigo ainda diz que a região amazônica do Brasil está passando por um período de retrocesso ambiental, durante o qual grandes projetos de infraestrutura estão sendo promovidos e a proteção ambiental está sendo reduzida. E que um desses projetos é a reabertura da rodovia BR319, construída em 1973, mas abandonada em 1988. “

Com a BR-319 e suas estradas laterais planejadas abertas ao tráfego, a área desmatada provavelmente aumentaria para mais de 1.200% do nível de 2011 em 2100. A estrada e o desmatamento relacionado afetariam 63 terras indígenas oficiais, que abrigam 18.000 indígenas. O imenso bloco de floresta aberto ao desmatamento por essas estradas contém um estoque de carbono que, se liberado, aumentaria muito as chances de os esforços globais de mitigação falharem em conter as mudanças climáticas”, afirmam.

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