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Amazonas

PMAM cumpre decisão judicial e reintegra militares suspeitos de chacina com quatro mortos em Manaus

A decisão proibi o uso de arma de fogo em serviço e integra os agentes na Diretoria de Ensino, órgão responsável pela gestão e organização da educação no âmbito da PMAM.

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Por ordem judicial o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Marcos Klinger Paiva, revogou o afastamento de dez policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) acusados de torturar e matar Diego Máximo Gemaque, de 33 anos, Lilian Daiane Máximo Gemaque, 31 anos, Alexandre do Nascimento Melo, 29 anos, e Valéria Pacheco da Silva, 22 anos., na chamada chacina do Ramal Água Branca, na zona norte de Manaus, em dezembro de 2022. As informações foram publicadas pelo site Amazonas Atual e confirmadas pelo 18horas.com.br.

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A revogação do afastamento está na Portaria nº 001/2026/DPA/JD/PMAM, publicada no Diário Oficial do Estado do Amazonas (DOE) no dia 8 deste mês. Segundo o documento, a medida cumpre decisão judicial proferida em 17 de dezembro de 2025, no âmbito do processo que apura denúncia contra os policiais, que tramita em segredo de justiça.

Na lista dos beneficiados pela decisão judicial estão os segundos-sargentos Charly Mota Fernandes e Jonan Costa de Sena; o terceiro-sargento Raimundo Nonato do Nascimento Torquato; os cabos Diego Bentes Bruce, Stanrley Ferreira Cavalcante, Anderson Pereira de Souza e Maykon Horara Feitoza Monteiro; além dos soldados Dionathan Sarailton de Oliveira Costa, Weverton Lucas Souza de Oliveira e Marcos Miller Jordão dos Santos.

Na decisão, segundo a portaria da PMAM, a justiça revogou o afastamento dos policiais e o uso da tornozeleira eletrônica, mas aplicou medida restritiva de afastamento dos agentes das atividades operacionais.

A decisão proibi o uso de arma de fogo em serviço e integra os agentes na Diretoria de Ensino, órgão responsável pela gestão e organização da educação no âmbito da PMAM, incluindo os colégios militares. O comandante-geral também ordenou a manutenção do bloqueio e cancelamento dos serviços extra gratificado dos PMS, enquanto perdurar a medida restritiva.

Os dez PMs foram afastados em novembro de 2023 por decisão judicial e, desde então, ficaram impedidos de exercer a função pública e, consequentemente, de receber a remuneração do cargo. Os salários variavam entre R$ 5,6 mil e R$ 19 mil.

Na ocasião do afastamento, o juiz Lucas Couto Bezerra, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu levar 14 de 16 policiais presos à Júri Popular. Dois não foram pronunciados por falta de provas. Lucas Bezerra também revogou, naquele momento, a prisão preventiva dos agentes e impôs medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Assassinatos

As vítimas foram encontradas mortas na manhã do dia 21 de dezembro de 2022 em um veículo Ônix no ramal Água Branca, na rodovia AM-010. Os policiais se tornaram suspeitos após a repercussão de vídeos gravados por moradores que mostram o momento em que eles fizeram a abordagem no veículo das vítimas na Rua Portland, no bairro Nova Cidade, horas antes dos assassinatos.

Além disso, imagens do sistema de câmeras da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) registraram duas viaturas da Rocam escoltando o carro das vítimas na Avenida das Torres, em direção à zona norte. Uma terceira viatura também aparece nos vídeos meia hora depois trafegando na mesma direção.

Na denúncia do Ministério Público do Estado (MPAM0, os investigadores apontam que as quatro vítimas foram submetidas a uma espécie de “tribunal” formada por 16 policiais militares da Rocam, incluindo um oficial. O “julgamento”, conforme a apuração, ocorreu no ramal do Acará, na zona norte de Manaus. Depois, as vítimas foram levadas para o Ramal Água Branca, onde foram encontradas mortas.

No dia 21 de março, o juiz Fábio Lopes Alfaia aceitou a denúncia do MPAM contra os 16 agentes. O magistrado considerou que havia, no documento, a prova da materialidade (ele mencionou laudo necroscópico e depoimentos de agentes) e indícios de autoria.


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