Amazonas
Pesquisa revela que neblina na Amazônia pode ter microorganismos vivos
Na investigação, foram coletadas amostras de água de neblina em 13 episódios diferentes no Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), situado a cerca de 150 quilômetros de Manaus.
Uma pesquisa recente, divulgada na revista Communications Earth & Environment, detectou microrganismos viáveis e com atividade metabólica nas gotículas de neblina formadas sobre a Amazônia, sugerindo que esse fenômeno atmosférico pode funcionar como um vetor de dispersão biológica.
Na investigação, foram coletadas amostras de água de neblina em 13 episódios diferentes no Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), situado a cerca de 150 quilômetros de Manaus.
As coletas ocorreram em distintas condições climáticas, abrangendo períodos secos e chuvosos, e foram realizadas a dezenas de metros de altura, nas proximidades do dossel florestal, área onde a neblina entra em contato direto com a copa das árvores.
Neblina viva da Amazônia
Os testes em laboratório apontaram alta densidade celular nas amostras, com registros de dezenas de milhares de células por mililitro, embora com diferenças entre cada evento analisado.
Parte dos microrganismos conseguiu se desenvolver em cultivo, evidenciando a presença de bactérias ligadas a ambientes úmidos e superfícies de plantas, além de fungos comumente encontrados no solo e em matéria orgânica em decomposição.
Esses achados indicam que a neblina na Amazônia apresenta uma composição biológica diversa, relacionada diretamente aos componentes do ecossistema florestal.
Para avaliar se as células estavam ativas, foi aplicada a técnica de citometria de fluxo. O método permite detectar partículas que possuem material genético e sinais de atividade metabólica, possibilitando identificar microrganismos vivos e com potencial funcional.
Importância e possibilidades
O achado amplia a compreensão do funcionamento da floresta. A neblina integra o ciclo curto de água e energia, formando-se na madrugada e dissipando-se ao longo do dia. Ao transportar microrganismos, pode favorecer a dispersão biológica e a redistribuição de partículas entre atmosfera, vegetação e solo.
O monitoramento desse fenômeno pode auxiliar na análise de variações sazonais, impactos de queimadas e qualidade do ar, além de servir como indicador sensível de mudanças climáticas, poluição e alterações no uso do solo.
O principal desafio é ampliar o monitoramento com séries históricas que integrem dados de torres, satélites e análises laboratoriais, permitindo entender melhor o papel desse fenômeno no equilíbrio ecológico amazônico.
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