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Amazonas

Pesquisa mostra impactos da seca extrema na Amazônia com foco em mulheres e territórios tradicionais

Estudo analisa os efeitos da seca entre 2023 e 2024 nas bacias do Tapajós e no interflúvio Purus-Madeira, apresentando impactos em nove dimensões e recomendações de ação.

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O Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVCes) está lançando o relatório de pesquisa “Seca Extrema na Amazônia: um olhar sobre territórios e mulheres atingidas”. O conteúdo analisa os principais impactos da seca extrema que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024, com foco nas bacias do Tapajós (PA) e do interflúvio Purus-Madeira (AM). Fruto de uma pesquisa qualitativa que escutou lideranças comunitárias e a gestão pública, a publicação enfoca especialmente os impactos enfrentados por mulheres de povos indígenas e comunidades tradicionais em territórios coletivos já pressionados por projetos de infraestrutura e atividades extrativas.

A equipe de pesquisa categorizou os impactos do fenômeno climático em nove dimensões centrais:

Insegurança alimentar e perda de trabalho e renda: impactos na soberania alimentar e diminuição de fontes de renda;

Alteração na circulação e isolamento das comunidades: interrupção do transporte fluvial e mudanças nas dinâmicas de circulação;

Agravos à saúde e sofrimento psíquico: aumento de casos de adoecimento físico e psíquico;

Fragilização de comunidades e da proteção territorial: impactos sobre as dinâmicas de organização comunitária e iniciativas de proteção territorial;

Transformações socioecológicas e nos regimes de conhecimento: mudanças nas dinâmicas socioecológicas e desafios para interpretação de fenômenos;

Desafios para efetivação de políticas públicas: diminuição das capacidades para oferta de serviços públicos e benefícios sociais;

Deslocamento forçado: fragilização dos modos de vida e das condições para permanência nos territórios;

Sobrecarga dos trabalhos de cuidado: aumento da quantidade, intensidade e tempo dedicado às atividades do cuidado;

Intensificação de riscos de violência contra a mulher: risco de ampliação de violência por gênero e fragilização de redes de suporte e proteção social.

Mapa do enfrentamento

O documento também revela um mapeamento inédito de estratégias de enfrentamento mobilizadas por territórios, sociedade civil e poder público diante do fenômeno.

As estratégias foram divididas em cinco categorias: (1) respostas emergenciais; (2) iniciativas de monitoramento independente e manejo integrado do fogo; (3) ações para restauração e segurança alimentar; (4) estratégias para incidência política; e (5) planos e comitês para resiliência climática. São exemplos de ações citadas: a distribuição de cestas básicas e água potável, muitas vezes com protagonismo feminino na articulação logística; a atuação de brigadas indígenas e comunitárias na vigilância territorial e no combate aos incêndios, promovendo o cuidado coletivo e a proteção de áreas sagradas e produtivas; e a implementação de bancos de sementes, viveiros de mudas nativas e transição para sistemas agroecológicos mais resilientes às instabilidades climáticas.

Ações para resiliência climática

A publicação ainda apresenta recomendações destinadas ao poder público para garantia das condições de permanência nos territórios, fortalecimento das capacidades institucionais e proteção de direitos territoriais. Em comum, todas partem da compreensão de que o enfrentamento climático requer respostas robustas e integradas, fundamentadas em governança multissetorial, no fortalecimento de capacidades institucionais e na promoção de justiça climática.

A pesquisa inova ao incorporar uma abordagem de gênero à análise dos impactos climáticos, iluminando efeitos diferenciados sobre as mulheres, seu protagonismo nas respostas climáticas e recomendações que conectam clima e cuidado. O estudo também parte do reconhecimento de impactos e demandas narrados por povos indígenas e comunidades tradicionais, e propõe caminhos em diálogo com agendas e reivindicações de organizações de base e entidades representativas.

A iniciativa é resultado de pesquisa conduzida no âmbito do Programa de Desenvolvimento Local do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), e foi realizada entre maio de 2024 e agosto de 2025.

Clique aqui para ver o relatório completo.


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