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Orelhões serão retirados das ruas de todo o Brasil; em Manaus ainda existem 16, aponta Anatel

Anatel começa a retirada definitiva de telefones públicos em janeiro, após o fim das concessões de telefonia fixa. Apenas cidades sem outra opção de comunicação manterão o serviço até 2028.

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O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil. Os orelhões, os famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional, começarão a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil em janeiro. Em Manaus, de acordo com a Anatel, ainda existem 16 aparelhos ativos. A Agência divulgou um mapa para indicar a quantidade de orelhões em cada município do Brasil.

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Brasil

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 38 mil aparelhos ainda permanecem no território nacional.

Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, no ano passado, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos.

Com o fim dos contratos, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.

A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível. E só até 2028.

O processo de retirada já vinha ocorrendo nos últimos anos. Dados da Anatel mostram que, em 2020, o Brasil tinha ainda cerca de 202 mil orelhões nas ruas.

Como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país.

Dados disponibilizados pela agência mostram que mais de 33 mil orelhões estão ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000.

Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa. Foi ali, ao ouvir o clássico “chamada a cobrar”, que muita gente esperava ansiosa até cair a ficha — literalmente — para completar a ligação.

Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026.

Na imagem, Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura, surge dentro da cabine oval segurando um telefone público.

O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa.

Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.

Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegia quem falava do barulho externo.


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