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Amazonas

‘O governador precisa decretar novas restrições, caso não queira ser cúmplice de mais mortes evitáveis’, diz cientista da Fiocruz

Jesem Orellana alertou a população do Amazonas sobre a transmissão comunitária da nova variante Ômicron, em Manaus

Foto: Aguilar Abecassis

O epidemiologista da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana informou neste sábado (08/01) que Manaus está em transmissão comunitária da nova variante da Covid-19, a ômicron. O cientista destacou que o governador Wilson Lima (PSC) precisa decretar novas restrições urgentemente para conter nova explosão de novos casos da doença e mortes evitáveis. Ontem (07), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas contabilizou mais 363 novos casos de Covid-19, totalizando 434.958 casos da doença no estado, e uma morte, elevando para 13.843 o total de óbitos.

Jesem Orellana informou que a primeira semana de 2022, em Manaus, foi marcada pelo aumento de internações por Covid-19 (leito clínico+UTI) e enterros (Figura 1). Ao destacar a transmissão pela nova variante, ele pediu a população para não confiar na vigilância laboratorial do Amazonas. “Até, hoje, testou menos 7,5% da população total com RT-PCR! Seguimos às escuras na pandemia”, frisou.

O cientista da Fiocruz Amazônia disse que há meses o Amazonas está na terceira onda da pandemia. Todavia, o atual cenário é mais ameaçador por conta do aumento de novas internações e sugeriu que o governador Wilson adote medidas mais enérgicas para frear a transmissão viral. “Na realidade, entramos na terceira onda de contágios há meses – não veio consistentemente acompanhada pelo aumento de casos graves e mortes. O que estamos vendo, agora, é novo recrudescimento, mas com ameaçador aumento de internações e sepultamentos. O governador precisa decretar novas restrições urgentemente, caso não queira ser cúmplice de nova explosão de casos e mais mortes evitáveis. Entre essas medidas, parece essencial a restrição da circulação de pessoas no período das 19h às 06h, por um período mínimo de 14 dias, bem como a viabilização da exigência de vacinação contra a Covid-19 nas escolas da rede de ensino/educação e em órgãos públicos, por exemplo”, analisou o especialista, sugerindo também que os prefeitos “devem ao menos duplicar a capacidade de testagem e a fiscalização do não uso de máscaras e aglomerações, especialmente de festas clandestinas”.

Preparação

Questionado se o Estado do Amazonas está preparado para a terceira fase mais agressiva da pandemia, Jesem Orellana disse que não e alertou para o cansaço dos profissionais de saúde.
“E os números/acontecimentos são claros, seguimos sem termos Serviço de Verificação de Óbito (SVO), sem testagem em massa e os trabalhadores de saúde estão exaustos. Ninguém aguenta mais tantos erros”, declarou.

Tendência

O cientista da Fiocruz alertou também que a tendência pode piorar nas próximas semanas e que o aumento de novos casos e de internações se dão aos relaxamentos das semanas anteriores ao Natal e Ano-Novo, incluindo os insensatos shows referendados pelo Governo do Amazonas.
“Precisamos lembrar que os indicadores de internação e morte são indicadores tardios da circulação viral, ou seja, refletem o que aconteceu antes do Natal, provavelmente. Esse cenário é pouco provável no curto prazo. No entanto, a situação pode se agravar consideravelmente nas próximas semanas e comprometer o mês de fevereiro. Por este motivo, é fundamental atuar, hoje, para não lamentar amanhã, como aconteceu duas vezes seguidas no Amazonas. Certamente(os novos caos) pode (m) sobrecarregar as unidades básicas de saúde e UPAS, por exemplo. A parte hospitalar vai depender da velocidade da propagação viral nos próximos dias/semanas”, avaliou o cientista.

Aprendizado

Apesar de duas fases da pandemia do Amazonas ter assolado a população em 2020 e 2021, o cientista declara que o Governo do Amazonas e as autoridades públicas tiveram “pouco aprendizado prático”. “Parece que estão acreditando que vacina sozinha faz milagre. Não mesmo, sobretudo em tempos de Ômicron e com um vírus tão astuto como é o SARS-COV-2. Precisaremos combinar estratégias por muito tempo ainda, por isso é fundamental mantermos o adequado uso de máscaras, distanciamento físico e a higienização das mãos, por exemplo”, finalizou.

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