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Amazonas

Liderança indígena chama de irresponsável gasto do governo do Amazonas, na Fundação do Índio, para “festividades”

Yura Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, relatou que a população indígena do Amazonas tem muitas necessidades que poderiam ser resolvidas com o dinheiro destinado para eventos.

Yuro Marubo, assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). (Foto:Reprodução)

O assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Yura Marubo, disse nesta quinta-feira,26/5, que está perplexo diante do “gasto desnecessário e irresponsável ” do governo do Amazonas, por meio da Fundação Estadual do Índio (FEI) do Amazonas, no contrato com a empresa D.M. de Aguiar Eireli, de R$ 6,99 milhões para “eventual fornecimento de material para festividades e homenagens”. A informação sobre o contrato foi publicada nesta quinta-feira, pelo 18horas.

Yura Marubo disse que as comunidades indígenas no Estado enfrentam graves necessidades não atendidas. “É uma conduta inaceitável diante de momento tão sombrio que estamos passando”, destacou. Segundo ele, os recursos poderiam resolver problemas de educação e saúde dos povos indígenas no Vale do Javari e, assim, reduzir casos de mortes de crianças.

É urgente, conforme a liderança, o investimento para barrar a entrada de invasores nas terras indígenas. “Os 7 milhões de reais deveriam ser usados também para barcos fazer fiscalização; em rádio para fazer a comunicação em comunidades longínquas”, relatou.

O representante da Univaja disse que faltam recursos para a aquisição de equipamentos para as famílias indígenas obterem renda em atividades sustentáveis, como máquinas para “bater açaí”. “Vemos a tristeza nos olhos dos nossos parentes”, relatou.

Ele destacou que não aceita a atitude do diretor presidente da Fundação Estadual do Índio em preferir fazer festa com gastos desnecessários para promover os povos indígenas do que solucionar os problemas das populações. “Não é possível aceitar essa conduta de um gestor que conhece como poucos a realidade dos povos indígenas”, disse.

Ele ainda destacou como “problema sério”, o fato dos recursos estarem sendo direcionados sem licitação, para uma determinada empresa. ” É necessário saber de quem é esta empresa”, disse.

Yura Marubo disse, ainda, que usar R$ 7 milhões para fazer festa não tem respaldo das populações indígenas. “Os recursos devem ser direcionados para esses lugares tão longínquos que precisam de tanto investimento. Não tenho dúvida de que os sete milhões ajudariam nesse momento tão sombrio que estamos passando. As populações indígenas precisam de outros projetos. E não este, para fazer festa”, afirmou.

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