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Amazonas

Jornalista, Wilson Lima silencia diante de um crime contra o jornalismo, no Estado em que é governador, destaca sociólogo

“Não é possível que um jornalista no País não tenha algo a dizer sobre o assassinato de um colega jornalista, que foi morto por ser jornalista”, declarou Luiz Antônio Nascimento de Souza.

O sociólogo Luiz Antônio Nascimento de Souza, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) disse, nesta quarta-feira (15/06) que o governador do Amazonas, Wilson Lima (UB) faz “ouvidos de mercador” e “ignora o que está acontecendo” no estado que ele governa, o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira.

“Ele não se manifesta diante da sociedade. A situação se torna ainda mais grave quando o governador é um jornalista. Ele está governador. Ele tem um mandato. Ele é um jornalista. E não é possível que um jornalista no País não tenha algo a dizer sobre o assassinato de um colega jornalista, que foi morto por ser jornalista”, declarou o sociólogo.

Luiz Antônio Nascimento de Souza disse que Dom Phillipis não foi morto num acidente de carro nem foi morto por ser assaltado. “Ele foi morto por estar atuando como jornalista. Isso é um atentado mais contundente contra a democracia e contra o estado de direito desse pais. E o governador do Estado não fala nada? Ele não tem nada para dizer sobre isso. Esse crime ocorreu no Estado dele, governado por ele, que tem a polícia sobre a sua governância. E ele não tem nada para dizer?”, acrescentou.

O sociólogo também disse que agora o País e o mundo estão de olhos voltados para o Amazonas, em um caso de “uma violência bárbara, cruel traiçoeira contra duas pessoas que estavam trabalhando, duas pessoas que estavam fiscalizando e denunciando a degradação ambiental, a extração ilegal de madeira de peixe e caça”.

E destacou que não está falando de alguém que caçou para comer ou de quem matou uma paca ou uma anta para o parente comer. “Nós estamos falando de toneladas de caça que são extraídas ilegalmente e são levadas e levadas para centros urbanos e vendidas por quadrilhas organizadas. É disso que estamos falando”, afirmou.

No único registro em que Wilson Lima se manifestou sobre o fato foi logo no início, quando anunciou, no Twitter que a Secretaria de Segurança Pública do estado iria apoiar as buscas. “Estamos colocando o Estado à disposição para apoiar as buscas e investigações no desaparecimento do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips, em Atalaia do Norte. Estamos enviando agentes para o local e vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para encontrá-los”, disse.

Não há registro de que o governado tenha feito qualquer manifestação de apoio ou solidariedade aos familiares de Bruno Araújo e Dom Phillips.

Nesta quinta-feira, um dos principais suspeitos pelo desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, Amarildo Oliveira da Costa, conhecido como Pelado, confessou ter participado do assassinato da dupla, que desapareceu na Amazônia no último dia 5, segundo fontes da Polícia Federal que não foram reveladas pela imprensa.

De acordo com elas Pelado afirmou, que uma outra pessoa foi a responsável por atirar em Pereira e Phillips e que sua participação no crime foi de ajudou a enterrar os dois corpos, que, segundo ele, foram esquartejados e incinerados.

O suspeito foi questionado sobre a motivação do crime e, segundo fontes da PF disseram à CNN, ele admitiu que Pereira e Phillips foram assassinados por conta de denúncias sobre pesca ilegal na região.

Nota

Horas após a publicação desta reportagem, Wilson Lima usou as redes sociais para lamentar a morte do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. “Lamento profundamente o triste desfecho do caso do indigenista Bruno e do jornalista Dom. Minha solidariedade às famílias. Agradeço a todas as forças de segurança, em especial aos nossos homens do Corpo de Bombeiros e das Polícias Civil e Militar, que foram decisivos na busca”, escreveu o governador.

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