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Amazonas

Invasão de garimpeiro: casos de malária aumentam 70% na Terra Indígena Yanomami

Em 2019, pelo menos quatro indígenas da etnia, uma das mais vulneráveis do país, morreram com a doença

Os casos de malária na Terra Indígena Yanomami aumentaram 70% em 2019 em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde. A pasta também confirmou que, no ano passado, pelo menos quatro indígenas da etnia, uma das mais vulneráveis do país, morreram em decorrência da doença. O avanço da doença na região vem sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF). As informações são do jornal O Globo.

Os yanomami vivem em uma terra indígena localizada no extremo norte do país, entre os estados do Amazonas e Roraima. A população estimada da etnia é de aproximadamente 26 mil pessoas.

De acordo com o Ministério da Saúde, os casos de malária na região habitada pelos yanomami saltaram de 9.674 em 2018 para 16.613 em 2019, um crescimento de 70,55%. Os dados mostram que, pelo menos desde 2015, os casos de malária entre os yanomami vêm subindo. Naquele ano, foram registrados 4.559.

Desde os anos 1980, esse grupo indígena vem sofrendo com doenças introduzidas por não-índios, principalmente garimpeiros que invadem as terras habitadas da reserva para extrair ouro ilegalmente.

Na última semana, o Ministério Público Federal (MPF)  expediu recomendação à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e ao Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (DSEI) Yanomami para que sejam adotadas medidas de prevenção, tratamento e erradicação de malária em comunidades indígenas afetadas por surtos da doença, no Amazonas.

Segundo a recomendação, a falta de medicamentos específicos para tratamento da malária, bem como a ausência de ações de prevenção por parte dos órgãos responsáveis pelo atendimento em saúde nas comunidades indígenas agravaram as consequências da crescente incidência de casos da doença na região dos rios Marauiá, Cauaburis, Ayari e Demeni, na terra indígena Yanomami, localizada nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos, e São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas.

A terra indígena Yanomami registrou, nos últimos anos, surtos de malária decorrentes de invasões de garimpeiros e do aumento do desmatamento no território, de acordo com relatos apresentados por lideranças indígenas durante reunião realizada no MPF, em Manaus. Em apenas uma das aldeias, foram identificados mais de 70 casos da doença, situação que se repete nas demais aldeias.

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