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Amazonas

Inquérito da PF também mostra que Wilson Lima e Pazzuelo sabiam, pelo menos 5 dias antes, da falta de oxigênio no Amazonas

As informações no inquérito contrapõem declarações de Wilson Lima, dadas à imprensa, no início do ano, de que só tomou conhecimento do problema na madrugada do dia 14 de janeiro.

Ministro Pazuello é investigado pela PF junto do governador Wilson Lima (à dir)

Informações no inquérito sigiloso da Polícia Federal (PF) que investiga supostos crimes do ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, em matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, na última terça-feira, mostram mais uma vez que a crise da falta de oxigênio em unidades de saúde de Manaus, já era do conhecimento dos governos federal e estadual e da empresa responsável pelo fornecimento, a White Martins, dias antes da crise eclodir, no dia 14 de janeiro deste ano.

De acordo com a notícia do jornal, o inquérito reuniu evidências de que o ex-ministro da Saúde e o comando do Exército na Amazônia foram formalmente avisados sobre a “iminência de esgotamento” de oxigênio em Manaus em janeiro, cinco dias antes do colapso, com pedidos de socorro não atendidos a contento. E cita a existência de ofícios enviados a Pazuello e ao comandante militar da Amazônia, general Theophilo Oliveira, assinados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

As informações no inquérito contrapõem declarações de Wilson Lima, dadas à imprensa, no início do ano, de que só tomou conhecimento do problema na madrugada do dia 14 de janeiro, no auge da crise, quando pessoas já morriam asfixiadas, por falta de oxigênio em Manaus. Em publicação do site G1 Amazonas, no dia 27 de janeiro, o governador disse que “a White Martins avisou sobre os problemas no abastecimento durante a madrugada do dia 14 de janeiro, início da crise do oxigênio”.

Em entrevista ao site Metrópoles, postada no dia 15/01/2021, o governador afirmou: “Eu recebi o comunicado de que faltaria oxigênio efetivamente, que as empresas não teriam condições de abastecer na quantidade que a gente necessitava, durante a madrugada. E disseram que dali cinco horas teria hospital sem abastecimento”.

Em matéria do site Realtime1, do dia 27 de janeiro de 2021, Wilson Lima “explicou que a White Martins avisou ao Governo somente na madrugada do dia que antecedeu o problema na falta de abastecimento do oxigênio nos hospitais de Manaus, informação repassada imediatamente aos órgãos”.

Mas, de acordo com um ofício reproduzido no inquérito da PF, assinado pelo governador do Amazonas, foi enviado a Pazuello em 9 de janeiro. O documento aponta a necessidade de oxigênio diante da alta da infecção pelo coronavírus e do aumento dos casos de internação, com “súbito aumento no consumo” do insumo. O insumo havia sido objeto de outros ofícios enviados ao Comando Militar da Amazônia, nos dias 7 e 8. Neste caso, quem assinou os documentos foi o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

Jogo de empurra

No dia 12, dois dias antes da eclosão da crise e ciente dos problemas no fornecimento do gás, o presidente Jair Bolsonaro responsabilizou o governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus por “deixar acabar” o oxigênio que seria destinado aos pacientes de covid-19, ao conversar com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. O governador do estado afirmou que sua gestão fez o possível para contornar a falta do gás.

Wilson Lima agradeceu, “em nome do povo do Amazonas”, o “empenho” o governo federal para tentar solucionar a falta de oxigênio no estado. No dia 14, o recém-empossado prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou que a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus era decorrência do isolamento geográfico da cidade e da falta de estradas pavimentadas que a conectassem ao resto do país.

O resultado trágico revelou falta de coordenação e decisões erradas de autoridades que menosprezaram o perigo da pandemia e de uma nova cepa do vírus, mais transmissível, em circulação. E as mortes de pacientes de Covid-19 no Amazonas mais do que dobraram na segunda onda da pandemia.

CRONOLOGIA:

Os alertas nos dias que antecederam o colapso mostra que governos sabia do problema bem antes do que declarado à imprensa em janeiro

7.jan
White Martins manda email à Secretaria de Saúde do Amazonas registrando alerta
sobre risco de escassez de oxigênio
Secretaria pede ajuda ao Comando Militar da Amazônia para o transporte aéreo
urgente de cilindros de oxigênio que estavam em Belém

8.jan
O email à Secretaria de Saúde teria sido encaminhado ao então ministro da Saúde,
general da ativa Eduardo Pazuello, segundo a AGU. Depois, o gabinete do ministro
negou essa versão
Um novo ofício do governo do Amazonas ao Comando Militar da Amazônia oferece
novas informações para o transporte de oxigênio de Belém a Manaus

9.jan
Ofício do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), alerta para o risco de escassez
de oxigênio e detalha pedido de ajuda a Pazuello, com solicitação de transporte de 500
cilindros da White Martins em Guarulhos (SP)
O governador também manda ofício ao comandante militar da Amazônia, com o
mesmo teor, pedindo ajuda para transporte de 36 tanques de oxigênio líquido

11.jan
White Martins manda email pedindo “apoio logístico imediato” para transportar 350
cilindros de oxigênio gasoso, 28 tanques de oxigênio líquido, 7 isotanques e 11 carretas.
O pedido foi direcionado a dois coronéis do Exército com atuação no Ministério da
Saúde

12.jan
Em novo ofício a Pazuello, governo do Amazonas pede ajuda para transporte de
microusinas e geradores.

14.jan
O sistema de saúde em Manaus entra em colapso, já nas primeiras horas do dia, por
falta de oxigênio. O insumo transportado com auxílio do governo foi insuficiente.
Pacientes morrem asfixiados nos hospitais

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