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Amazonas

Família pede apuração de morte de bebê cardiopata de quatro meses no Hospital Francisca Mendes, em Manaus

Família vai  formalizar denúncia junto ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina, solicitando apuração sobre possíveis falhas nos protocolos hospitalares.

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A morte Valentina Bertolino, de quatro meses, está sendo apontada pela família como resultado de uma possível negligência médica durante o período de internação na Fundação Hospital do Coração Francisca Mendes, em Manaus. A bebê era portadora de Persistência do Canal Arterial (PCA), uma cardiopatia congênita, e aguardava cirurgia desde o dia 4 de fevereiro. As informações são do site Gazeta Manauara.

Segundo a mãe de Valentina, Andreia Bertolino, de 38 anos, a filha foi internada após a realização de um ecocardiograma. De acordo com ela, os exames pré-operatórios foram realizados e a criança estava apta para o procedimento cirúrgico, restando apenas a definição da data.  “Minha filha fez todos os exames, tirou nota 10 em tudo. Além da PCA, ela não tinha mais nada. A gente só estava esperando a cirurgia”, relatou.

Durante a internação, segundo ela, Valentina permaneceu em uma ala de tratamento semi-intensivo. A mãe afirma que, por apresentar quadro estável, a bebê foi colocada em um espaço separado de outras crianças em situação mais delicada. No entanto, relata, em um fim de semana, um paciente de nove anos com sintomas gripais foi colocado na mesma ala da filha. Segundo ela, o menino apresentava sinais evidentes de infecção viral, como espirros e coriza.

“Eu falei para o médico que aquele menino podia infectar minha filha. Ele disse que não era para eu me preocupar e mandou eu voltar para a ala”, disse.

Dias depois, de acordo com a mãe, Valentina começou a apresentar piora no quadro clínico e desenvolveu um processo infeccioso. Andrea afirma que a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) não ocorreu de imediato, mesmo diante do agravamento da situação.

“Eu via minha filha desfalecer aos poucos. Eu pedia para levarem ela para a UTI. Eu dizia que minha filha estava morrendo”, relatou.

A criança foi posteriormente encaminhada à UTI, mas não resistiu e morreu no dia 23 de fevereiro.

Pedido de investigação

A família de Valentina afirma que vai  formalizar denúncia junto ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e ao Conselho Regional de Medicina (CRM), solicitando apuração sobre possíveis falhas nos protocolos hospitalares, especialmente quanto a medidas de isolamento, prevenção de infecção hospitalar e tempo de resposta para transferência à UTI.

Os familiares querem que sejam esclarecidos pontos como:

-Se houve cumprimento adequado dos protocolos de controle de infecção;
– Se a permanência de um paciente com sintomas virais na mesma ala foi autorizada dentro das normas técnicas;
-Se houve demora na transferência para a UTI;
– Se a cirurgia poderia ter sido realizada com maior brevidade.

Nota do hospital

A direção do Hospital Francisca Mendes informou que a paciente foi admitida apresentando quadro compatível com cardiopatia congênita. Segundo a nota, “desde sua admissão até o desfecho clínico, a criança foi assistida de forma contínua pela equipe multiprofissional, com monitorização clínica regular, conforme diretrizes técnicas e protocolos assistenciais vigentes na instituição”.

“O hospital respeita e acolhe as manifestações da família, reconhecendo a dor inerente à perda. Contudo, ressalta que a evolução clínica de pacientes portadores de cardiopatia congênita, especialmente lactentes, pode apresentar rápida deterioração em casos de infecção viral associada, mesmo diante de acompanhamento adequado e adoção das medidas assistenciais indicadas”, diz.

Segundo o hospital, até a divulgação da nota,  “com base na análise técnica preliminar, não há evidência de descumprimento dos protocolos institucionais por parte dos profissionais envolvidos. A apuração interna segue em andamento para completa elucidação dos fatos”.


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