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Amazonas

Exército simula guerra em vila residencial no Amazonas, informa revista Época

Com rajadas de festim, treinamento militar foi realizado ao redor das casas em Moura, distrito da cidade de Barcelos, e observado de perto por moradores que permaneceram no local.

O site da revista Época informou nesta quinta-feira que “um pacato vilarejo com 900 habitantes na margem do Rio Negro, no Amazonas, virou cenário para um treinamento de guerra organizado pelo Exército Brasileiro e com a presença dos moradores do lugar”.

Distrito da cidade de Barcelos, Moura é um vilarejo com sete ruas e uma pista de avião que se estende por 1.120 metros e pertence à Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), da Força Aérea Brasileira.

Em um fim de tarde do último mês de setembro, centenas de militares invadiram as poucas ruas de Moura com armas de diversos calibres. Mesmo com munição de festim, o estrondo causado pelos tiros foi intenso.

A simulação era parte da Operação Amazônia 2020, treinamento que mobilizou 3,6 mil militares e custou R$ 6 milhões, como informou o repórter Vinicius Sassine no jornal O Globo.

“Eles passaram pertinho da gente, se arrastando atrás das casas, escondendo nas áreas, atrás de pedras, montes de areia e de tijolos empilhados. Eles usaram a comunidade inteira para esse treinamento”, disse a professora Sirlei Bitencourt, de 49 anos, que não se importou com os tiros ao redor de sua casa. “Ficamos felizes em participar. Eles também ofereceram atendimento de médicos e dentistas para os moradores”.

De acordo com a professora, os militares visitaram Moura nos dias que antecederam o exercício militar. Avisaram sobre os tiros e ressaltaram que não havia motivos para preocupação por se tratar de uma simulação.

Os representantes do Exército informaram ainda que as tropas sairiam de uma comunidade vizinha, chamada de Vila Nova, e chegariam em Moura pela mata e com lanchas pelo Rio Negro.

“A comunidade foi ver o movimento. Fomos para a rua assistir. As crianças ficaram na frente da escola e gostaram de ver os soldados camuflados, com os rostos pintados, segurando as armas”, acrescentou Sirlei.

O treinamento do Exército mobilizou ações em outras duas cidades do Amazonas: Manacapuru e Novo Airão. E quem não ouviu o aviso prévio dos militares, levou susto.

O ruído de pessoas andando chamou a atenção do jornalista Márcio Torres, de 60 anos, na noite de 17 de setembro, uma quinta-feira, em Novo Airão, município de 37 mil habitantes.

Ele assistia TV quando percebeu a presença de um grupo de homens fortemente armados, por volta das 23h. Do lado de fora da casa, estava uma das tropas em treinamento.

“Eu escutei um barulho do lado de fora e vi pela janela uns 15 homens mascarados, de chapéu, boné e com armas de grosso calibre passando pela cerca. Na hora, eu pensei: o que eu faço? Eu achava que era o Comando Vermelho invadindo a cidade. Depois disso, começaram os tiros e a metralhadora cantou pesado até 1 hora da manhã”, disse Torres.

A Operação Amazônia foi realizada entre os dias 4 e 23 de setembro. O exercício militar mencionava uma invasão de um suposto país “Vermelho” a um país “Azul”. A tarefa das forças armadas brasileiras era “libertar” os territórios ocupados, missão que incluiu as zonas residenciais das cidades selecionadas para o treinamento.

“Durante o dia eu fui ao ginásio da cidade, onde os militares estavam reunidos com vários caminhões e armas. Eu imaginei que a simulação seria na selva, mas ela foi urbana e pegou muita gente desavisada. Meu vizinho de frente é cadeirante, estava na rua quando começou o tiroteio e sofreu para se esconder. O povo se assustou de verdade, alguns ouviram os tiros e atravessaram o mato no peito. A conversa é que teve gente que se escondeu debaixo da cama”, revelou Torres.

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